[[legacy_image_215729]] Uma jovem de 22 anos foi vítima de homofobia enquanto trabalhava em um campeonato de crossfit no domingo (16), em Praia Grande. Giovanna Padovani Lui estava arbitrando uma prova quando ouviu xingamentos como “jumenta”, “sapatão do inferno” e “sapatão do ca...lho”. “Me senti ofendida e humilhada”, diz a mulher. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em entrevista para A Tribuna, a profissional de educação física contou que se inscreveu para ser judge (juíza) no campeonato Mugo Games 2022 e foi selecionada. O trabalho consiste em arbitrar o que os atletas estão fazendo nas provas. “Analisar se o movimento está sendo coerente com o que o evento solicitou. Se a execução for correta, conta repetição [pontos]. Se tiver algum erro no padrão de movimento ou fizerem algo que não foi solicitado, a gente tem o costume de falar que é o ‘no rep’, uma repetição não válida. Então não somamos essa repetição e o atleta tem que fazer novamente”, explica. A competição é separada em categorias, entre elas, a RX Masculino, que era em trio. Foi nela, enquanto arbitrava uma equipe do CrossTraining Lima (de Cubatão), que Giovanna sofreu os insultos. De acordo com a profissional de educação física, é normal que a torcida fique perto durante a competição e foi o que alguns torcedores da academia fizeram na prova dos meninos em que a jovem arbitrava. “Eles (os atletas) começaram a subida na corda e tinha que encostar em um tablado lá em cima toda vez que subia. Pelo fato de no meu campo de visão não ter encostado, eu dei uma ‘no rep’, eles teriam que fazer novamente. Foi aí que começaram as ofensas”, relembra. Giovanna diz que ouviu os xingamentos, mas deu continuidade ao seu trabalho. “E aí surgiram outras ‘no reps’ e eles continuaram me atacando, tanto que tem o vídeo disso. Quem estava gravando do box, fazia ao vivo. Quando acabou, eles publicaram esse vídeo e eu vi nitidamente o que cada pessoa tinha falado”, afirma, relembrando as ofensas pelas quais foi chamada. “Foram termos bem pesados e ficou bem explícito no vídeo e áudio”. A Tribuna não teve acesso às imagens, mas Giovanna garante que está em contato com advogados para tomar as providências na Justiça. Após o episódio, a profissional de educação física publicou um vídeo nas próprias redes sociais falando sobre o caso. (assista abaixo) “A intenção não foi prejudicar, mas para as pessoas acordarem e perceberem que não é bem assim que as coisas funcionam, que é algo inadmissível”, finaliza, dizendo que está trabalhando para identificar os responsáveis pelas ofensas. Notas de repúdioEm vídeo publicado nas redes sociais do CrossTraining Lima, um representante do box falou sobre o caso, pelo qual descreveu como “lamentável” e “muito triste”. “Aconteceram xingamentos, algumas ofensas que eu não concordo, sou totalmente contra. Nosso box é totalmente contra homofobia, nós recebemos todos de braços abertos”, disse. Ainda segundo a publicação, esse tipo de caso nunca tinha acontecido no box. “Não encaro isso como uma brincadeira, de forma alguma. É muito chato e triste ver essa situação. Sou totalmente contra esse tipo de ofensa a qualquer pessoa. Vim pedir desculpa em nome do box, em nome dessas pessoas que fazem parte do box”, afirmou o representante. “Infelizmente a gente não consegue controlar tudo. Eu tento passar o máximo de coisas positivas para as pessoas. Quem me conhece sabe que eu converso com a galera, tento orientar da melhor forma possível, mas infelizmente algumas coisas a gente não consegue mudar na questão de caráter e educação das pessoas. Por mais que eu tente, eu não vou conseguir se a pessoa não quiser. Então eu peço desculpa, perdão pelo ocorrido de ontem (domingo), embora não tenha sido eu ou meu trio”. Ainda segundo o posicionamento, o vídeo do momento foi retirado das redes sociais “para evitar mais problemas”. “Lamento todo o ocorrido, peço perdão mais uma vez”, finaliza o homem. Em nota enviada para A Tribuna, o box ainda disse estar “à disposição da vítima e das autoridades responsáveis”. Também por meio de comunicado nas redes sociais, a organização da competição Mugo Games 2022 se posicionou contra o ocorrido. “A organização do Mugo Games gostaria de informar que repudia toda e qualquer discriminação, especialmente homofobia, que caracteriza-se como crime. Esse posicionamento se deve devido à ocorrência do crime de homofobia contra uma pessoa da nossa equipe, que estava trabalhando na arena no momento da ofensa”. Ainda em nota, a organização disse que o fato chegou ao conhecimento da equipe por meio do vídeo “com áudio nítido e claro, caracterizando o crime supra mencionado”. “Nosso evento é baseado em princípios e valores morais e sociais, além de inclusivos, de modo a tratar todas as pessoas, atletas ou não, de forma igualitária. Reiteramos nossa solidarização àqueles que se sentiram violados ou discriminados em razão de ofensas cometidas por aqueles presentes em nosso evento. Apesar de não termos nenhum envolvimento com casos assim ocorridos, estamos à disposição para prestar todo o suporte necessário no seguimento da queixa, especialmente para a pessoa ofendida de nossa equipe”.