[[legacy_image_293029]] Um homem com deficiência, de 38 anos, acusa a escola onde cinco de seus oito filhos estudam de racismo e discriminação contra pessoa com deficiência (capacitismo), em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Leandro Ferreira, que após um acidente, em 2019, teve a mobilidade do pé reduzida e problemas na coluna, alega que durante a comemoração ao Dia dos Pais foi constrangido após um professor da Escola Municipal Cidade da Criança impedir que seu filho mais velho, de 17 anos, acompanhasse seu filho de 7 anos, em uma partida de futebol. De acordo com ele, foi informado que a partida era apenas entre pais e filhos. Isso aconteceu no último dia 11 de agosto. “Eu disse que não poderia participar do jogo devido a minha deficiência, mas que tinha levado meu filho mais velho para acompanhar o mais novo, para que ele não se sentisse mal”. O homem ressalta que a criança ficou pressionando-o para participar da partida e que não entende muito bem as suas limitações. Mas quando o filho mais velho, ao lado do mais novo, foi pegar o uniforme para a partida, o professor tomou a roupa. O pai foi tirar satisfações com o profissional, explicando sua condição. “Eu dizia que não podia participar. Ele dizia que a prioridade era dos pais”. Leandro disse que era pai, mas que não podia. Diante da situação, sua esposa, grávida de nove meses, foi procurar a diretoria para falar do constrangimento. “Falaram que ela estava criando caso". A gestante explicou a situação, mais uma vez, e esse foi o tempo para que a partida com os pais acabasse e que apenas as crianças estivessem jogando. Após mais um momento de constrangimento, a família foi embora. Leandro ainda alega que a esposa passou mal e chorou por causa do ocorrido. RacismoApós alguns dias do constrangimento na festa de Dia dos Pais, Leandro conta que uma de suas filhas, uma adolescente de 13 anos, teria ouvido uma insinuação racista ao ir buscar o irmão, na mesma escola. De acordo com ele, a família havia autorizado que a adolescente retirasse a criança, no dia 23 de agosto, uma vez que naquele dia sua esposa teria uma consulta médica. Leandro enfatiza que o filho mais novo é branco e a filha é uma adolescente negra com cabelo crespo. “Meu filho disse ‘minha irmã está ali’ e a professora perguntou se ela era realmente sua irmã. A professora disse ‘nossa, você é tão diferente dele”, conta. Dois dias após o ocorrido, no dia 25 de agosto, o filho de 17 anos (o mesmo do futebol) foi até à escola buscar o irmão e ouviu outro comentário que consolidou o possível ato de racismo. “Esse meu filho é branco, como o irmão. Ele chegou e disse que tinha ido buscá-lo e a profissional falou ‘você é igual a ele, a outra é tão diferente’”, relembra. Leandro diz estar revoltado com a situação enfrentada pela família. Ele também fez Boletim de Ocorrência (BO) sobre os acontecimentos e está em busca de justiça com uma advogada. PrefeitaLeandro conta que a família entrou em contato com a prefeita da cidade, Raquel Chini (PSDB), via Messenger, que teria alegado que a ‘animosidade’ teria acontecido após a família deixar de receber ajuda da escola, pois teriam utilizado da ajuda para fazer uma festa. A família, no entanto, nega ter pedido ajuda. Após conversar com a prefeita, ela orientou que eles buscassem ajuda policial. [[legacy_image_293030]] PrefeituraEm nota, a Prefeitura de Praia Grande por meio da Secretaria de Educação (Seduc), informou que foi notificada sobre o ocorrido e apura as informações. Entretanto, os fatos citados não correspondem integralmente ao relato do denunciante. A pasta municipal destaca que, havendo qualquer indício de irregularidade funcional por parte de servidores da unidade escolar, esses sofrerão o devido processo administrativo disciplinar, nos moldes previstos na legislação municipal. A Seduc também informa que representantes da equipe técnica da pasta fizeram um primeiro atendimento com o munícipe e sua esposa, na unidade de ensino citada, para entender o ocorrido. Entretanto, o mesmo não foi finalizado uma vez que o casal se retirou do recinto interrompendo antes do término do mesmo. De acordo com a gestão, a secretaria agendou um segundo atendimento com o munícipe para essa segunda-feira (28), como fora solicitado pelo cidadão à prefeita. "Infelizmente, o mesmo não compareceu ao compromisso firmado. Logo, a Secretaria de Educação reitera esforços em trazer a resolução da situação da melhor forma possível, demonstrando respeito com todos os cidadãos." Leandro, no entanto, diz que na primeira reunião nenhuma solução foi apresentada e por isso não terminou a conversa. No último encontro solicitado, ele não pôde comparecer e deixou avisado que não daria garantia de participação devido ao período de gestação de sua esposa, de 40 semanas.