Paciente com câncer grave na perna alega que fez procedimento de retirada de "carne morta" em escritório de pessoa da Administração Municipal sem quaisquer condições necessárias para realizá-lo (Arquivo Pessoal) O morador do bairro Sítio do Campo, em Praia Grande, Emerson Jacob, de 52 anos, enfrenta um câncer grave na perna esquerda. No local, cresceu uma 'carne morta' (necrosada) e até larvas surgiram. Ele alega que parte desse tecido foi retirado através de um procedimento ilegal, feito por um médico dentro de um escritório. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O homem relata que está há cerca de dois meses tentando uma internação em um hospital especializado, e explicou que o problema começou quando ele foi atropelado há 17 anos. "Eu estava de bicicleta e bati em um ferro, e no local ficou um buraquinho, que foi crescendo. Eu fazia curativos no postinho de Saúde, mas o ferimento cresceu". Jacob disse que o médico que retirou as larvas e tecido necrosado da sua perna fez o procedimento há cerca de quatro meses fora de um hospital, em um escritório de uma pessoa do Poder Público, e sem quaisquer condições de higiene. “Esse médico tirou a minha pele... na carne viva mesmo. Sem injeção, sem anestesia, sem nada. E depois ele abandonou o caso e me deixou aí... e ficou assim... desse jeito que está”, explica. Por causa da doença, ele não consegue colocar a perna no chão, pela dor e porque sangra. Além disso, pelo quadro dele estar se agravando, Jacob contou que tem surgido as larvas no local que fez o procedimento. Ele conta que já fez tratamento na Unidade de Saúde da Família (Usafa) Tude Bastos, e chegou a ser atendido e a passar por exames na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Santos e no Hospital Guilherme Álvaro (HGA). O homem ainda ficou internado sete dias no Pronto-Socorro Central de Praia Grande e foi liberado após fazer uma biópsia. A Tribuna teve acesso ao laudo médico do paciente. Conforme o documento, o paciente tem lesão vegetante na perna esquerda com um ano de evolução, ulceração e odor fétido de 10 cm de diâmetro e diminuição do músculo ao redor. Jacob teve o diagnóstico de carcinoma espinocelular (um tipo de câncer de pele) ulcerado, invasivo, em tecido fibroso. Prefeitura A Prefeitura de Praia Grande informou que o paciente está recebendo todo o acompanhamento da equipe de saúde do Município, tendo sido encaminhado no dia 22 de fevereiro para a rede de alta complexidade do Estado. Além disso, disseram que Jacob passou em consulta no Ambulatório Médico Especialista (AME) de São Vicente em 2 de abril. A Administração Municipal contou ainda que, posteriormente, após nova avaliação da equipe da Unidade de Saúde da Família de Praia Grande, em 18 de junho, o paciente foi novamente encaminhado para a rede de alta complexidade do Estado via Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo (Siresp), tendo passado em consulta no Hospital Guilherme Álvaro no serviço de oncologia/dermatologia plástica em 31 de julho para avaliação da lesão. Ele foi encaminhado pelo Estado para a especialidade de oncologia cirúrgica, também no Hospital Guilherme Álvaro, com consulta agendada para o dia 19 de agosto. Procedimento em escritório A respeito da situação citada por Jacob, a Prefeitura de Praia Grande esclareceu que o médico em questão não faz parte do quadro de funcionários da rede municipal de Saúde, não tendo qualquer vínculo com a Administração Municipal. A Secretaria de Saúde do Estado disse que o Departamento Regional de Saúde (DRS) da Baixada Santista informou que Emerson Jacob está em acompanhamento médico no Hospital Guilherme Álvaro (HGA), onde pode procurar o Pronto-Socorro (PS) em caso de urgência. Além disso, afirmou que o paciente foi inserido na regulação estadual no dia 18 de junho, com a primeira consulta realizada na Rede Hebe Camargo em 31 de julho e a próxima marcada para 19 de agosto, no HGA.