[[legacy_image_278347]] Após a solução do impasse que retardou a chegada de refugiados afegãos a Praia Grande, que desembarcaram ontem de madrugada, o Governo Federal ainda não decidiu como será a permanência deles no Brasil. Há 128 pessoas, das quais 35 crianças, abrigadas na colônia de férias do Sindicato dos Químicos de São Paulo, no Jardim Solemar. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Questões como regularização de estada no País, residência fixa e direcionamento para vagas de emprego serão discutidas em longo prazo. Mas, no primeiro dia no local, os refugiados receberam doses de vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral), poliomielite e covid-19 e cadastro no Cartão SUS. Inicialmente, o grupo ficará em Praia Grande por um mês, em um prazo que poderá ser estendido. Mas, segundo o assessor da Secretaria Nacional de Justiça, Rodrigo Portella, o governo planeja “instigar uma articulação interministerial para dar uma solução definitiva”. Os refugiados estavam acampados há 21 dias no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Para solucionar o problema, o Governo Federal firmou acordo com a Prefeitura e um convênio com o Sindicato dos Químicos de São Paulo, para que eles fossem abrigados na colônia de férias. Para receber os refugiados, houve uma força-tarefa de 15 funcionários do sindicato, alguns dos quais em férias. Na manhã de ontem, a movimentação no local já era intensa. A todo momento, chegavam marmitas e itens de higiene pessoal. O Bom Prato de Santos, vinculado ao Governo do Estado, preparou as refeições do fim de semana. Ainda de manhã, agentes da Organização das Nações Unidas (ONU), do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e da Organização Internacional para Migrações (OIM) foram à colônia cadastrar os imigrantes. A Secretaria de Saúde de Praia Grande enviou equipes de vacinação. Os 25 refugiados diagnosticados com escabiose (sarna humana) já não transmitem a doença, disse o secretário Cleber Suckow Nogueira. Impasse Os refugiados foram recebidos em Praia Grande depois de um impasse e reuniões. Na sexta-feira, a Prefeitura havia informado que não poderia receber os afegãos por não ter sido consultada pelo Governo Federal e que a colônia de férias estava sem o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). O presidente do Sindicato dos Químicos de São Paulo, Hélio Rodrigues — vereador em São Paulo pelo PT —, disse ter sido firmado convênio com o governo para hospedar os refugiados. “Na quinta-feira, nós fomos procurados pelo Governo Federal, que arcará com todos os custos”, observou. Vida nova Para o tradutor intérprete afegão Mohammad Navid Haidari, de 39 anos, que está na colônia com a mulher e os quatro filhos, chegar ao Brasil é um alívio. A família residia na cidade de Parwan, a 40 quilômetros de Cabul, no Afeganistão, e Navid trabalhava para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Mas, há um ano e meio, a família rumou para o Irã, chegando a caminhar por 38 horas. Há 21 dias, eles desembarcaram em Guarulhos. “Nós queremos viver aqui, e eu quero aprender português”. Em fuga Conforme a Agência Brasil, desde 2021, quando os radicais do Taleban assumiram o poder no Afeganistão, milhões de afegãos têm deixado o país. O Brasil passou a ser destino de parte deles quando uma portaria interministerial de setembro de 2021 autorizou a concessão de visto temporário e residência a eles por razões humanitárias. O grupo tem recebido apoio de voluntários e da Prefeitura de Guarulhos.