Um golfinho foi resgatado em Praia Grande, no litoral de São Paulo, na tarde da última quarta-feira (29). O animal foi encontrado por banhistas na faixa de areia na praia do bairro Aviação. O Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) e o Instituto Biopesca recolheram o animal, que estava em situação de risco. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o GBMar, banhistas localizaram o animal e, após avaliação inicial, a equipe do GBMar acionou o Instituto Biopesca, órgão responsável pelo manejo de animais marinhos na região. Os guarda-vidas ainda informaram que o golfinho apresentava um quadro de grande debilidade e precisava de atendimento especializado. Também orientam que, ao encontrar um animal marinho encalhado, é importante evitar qualquer tipo de intervenção direta, manter distância do animal e acionar imediatamente os órgãos competentes ou os guarda-vidas mais próximos. O Instituto Biopesca afirmou, em nota, que o animal se tratava de um golfinho-de-Fraser (Lagenodelphis hosei), sendo uma fêmea de 2,20m e aproximadamente 120 kg. O animal foi estabilizado e encaminhado ao Instituto Gremar, no Guarujá, para ser reabilitado. A entidade ressaltou ainda que é a primeira vez que registra o encalhe dessa espécie na região, que é monitorada diariamente desde 2015, percorrendo as praias de Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. Espécie A Tribuna consultou o biólogo Eric Comin, que explicou que a espécie, também conhecida como golfinho-de-Sarawak, vive em águas oceânicas e o encontro com esses animais pode ser mais difícil que de outras espécies, além de habitarem prioritariamente zonas pelágicas de águas profundas longe da costa. “Há registros ocasionais que ocorrem por meio de encalhes nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul”, comenta. Eles viajam em bandos de 10 a 100 indivíduos, alguns grupos podem atingir até mil membros e frequentemente nadam ao lado de outras espécies, como golfinho-cabeça-de-melão e o golfinho-pintado-do-atlântico. “Sua natação parece agressiva, move-se de forma rápida e ativa, gerando muita espuma e borrifos ao subir para respirar”, afirma Comin. São capazes de fazer mergulhos muito profundos, conseguindo caçar em profundidades de até 600 metros. A espécie tem uma dieta baseada em peixes mesopelágicos, lulas (cefalópodes) e camarões. Comin ressalta que o status de conservação da espécie está classificado mundialmente e no Brasil como Pouco Preocupante (LC) pela IUCN e ICMBio. “A captura acidental em redes de pesca oceânica e perturbações pela exploração de petróleo e gás são as principais ameaças.” O biólogo ainda reforça que não se deve nunca arrastar o animal pela cauda e nadadeiras peitorais, pois isso causa luxações e fraturas graves. Também não recomenda que tentem devolver o animal ao mar sozinho. “O animal encalhou por algum motivo, doença, fraqueza, lesão. Se você o empurrar de volta, ele pode afogar por falta de forças para respirar ou encalhar novamente em pior estado.” Confira as orientações do biólogo: Nunca jogue água ou cubra o orifício no topo da cabeça do golfinho (o espiráculo) - se entrar água ali, o animal pode afogar. Não mude a posição do animal, não tente virá-lo ou movê-lo bruscamente. Deixe-o na posição natural (de barriga para baixo). Primeiros socorros: Proteja do sol, improvise uma sombra com guarda-sol ou tecidos leves, se o dia estiver muito quente. Mantenha a pele úmida, cubra o corpo do animal com toalhas ou panos claros molhados em água do mar. Deixe as nadadeiras e o respiráculo totalmente livres Molhe com cuidado, jogue água do mar suavemente sobre o corpo e as toalhas, evitando respingar perto da cabeça e do respiráculo. Cave buracos para as nadadeiras, se a areia for firme, cave levemente embaixo das nadadeiras peitorais para aliviar a pressão do peso do corpo sobre elas. Mantenha a calma e o silêncio, reduza o barulho e afaste os curiosos. Golfinhos estressam-se muito facilmente, o que pode levá-los a uma parada cardiorrespiratória. Cuidado com a sua saúde, não encoste diretamente na boca, nos olhos ou em feridas do animal sem luvas. Eles podem transmitir doenças graves (zoonoses) para humanos e vice-versa.