Vista aérea de Praia Grande; moradores sentiram tremores (Carlos Nogueira/ AT) O terremoto pode até ter sido no Chile, mas tem morador da Baixada Santista, a mais de 3,4 mil km de distância, que sentiu os tremores no fim da noite desta quinta-feira (18). Tanto é que, em Praia Grande, seis prédios tiveram vistoria da Defesa Civil após relatos dos moradores. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Apesar da situação inusitada para os brasileiros, que geralmente não estão acostumados com tremores, uma região distante sentir os reflexos de um terremoto é algo bem comum. Quem explica é o geólogo e professor Álvaro Penteado Crósta, do Instituto de Geociências, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e membro titular da Academia Brasileira de Ciências. “Sempre que tem um tremor muito forte lá, a gente sente o reflexo aqui. Então, não é de se espantar. Não é a primeira vez, aliás, ocorre com certa frequência”, afirma o especialista da Unicamp. Ele ainda explica que é mais comum que moradores de andares altos de prédios sintam esses tremores, isso porque eles funcionam como uma espécie de pêndulo. “A fundação do edifício está presa no chão e não se mexe. Mas a parte de cima, quando a terra treme, tende a oscilar. E quanto maior a altitude, maior a amplitude da oscilação”, esclarece Crósta. Portanto, é mais raro sentir os tremores no nível térreo ou em andares mais baixos. E, apesar de a Baixada Santista estar sob monitoramento da Defesa Civil, isso não quer dizer que ela está mais propícia a sofrer os reflexos do terremoto no norte do Chile. É só uma questão de continuidade mesmo. “A crosta terrestre, aquela casca superficial, é rígida e é ela que transmite esses tremores a longa distâncias. Em lugares onde há descontinuidade, o que a gente chama de falhas geológicas antigas, é possível sentir mais tremores. Um exemplo é entre Jundiaí e São Paulo”, explica o geólogo. É difícil prever como os tremores vão se espalhar por essas pequenas falhas, porque, na realidade, eles se espalham como um todo pela placa tectônica. Mas isso também não é motivo de alarde: toda a Região Sudeste do Brasil está no meio da placa Sul-Americana, em uma zona de estabilidade bem distante da onde os terremotos são gerados. Isso também quer dizer que, apesar do susto, os tremores não oferecem perigo à população da Baixada Santista. “Não há nenhum risco. Só a emoção de falar que deu uma ‘balançadinha’”, garante Crósta. Prédios em Praia Grande (Marcelo Guedes/ PMPG) O que provocou o terremoto? A reportagem de A Tribuna aproveitou para relembrar um pouco das aulas de Geografia com o especialista da Unicamp para explicar o que motivou o terremoto no norte do Chile. Basicamente, é preciso lembrar que o país está localizado em uma região de borda de placa tectônica - grande bloco rochoso que compõe a superfície terrestre e está em constante movimento. E, por conta desse movimento constante, às vezes as placas tectônicas têm algum tipo de contato entre si e isso gera abalos sísmicos: são os terremotos. “Quem mora em zonas sísmicas, no Peru, Chile e Argentina, tem treinamentos para esse tipo de emergência. Nós não, porque é tão incomum e tão fraco que a gente não tem que se preocupar com isso. É normal que a população ache estranho, possa se sentir em risco e chame a Defesa Civil. Mas, de fato, não há qualquer possibilidade do ponto vista geológico de isso apresentar perigo para quem mora na nossa região”, diz o professor da Unicamp.