[[legacy_image_236959]] Três pessoas da mesma família ficaram feridas após serem atingidas por um fogo de artifício na noite de sábado (31), durante a festa de Réveillon em Praia Grande. Em outra praia da mesma cidade, uma turista de 38 anos morreu vítima de um ‘acidente’ igual. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A explosão que atingiu a família aconteceu antes da 0h do dia 1º, segundo conta uma das vítimas, o professor Edgard Luiz Monteiro Panca, de 42 anos. “Passamos a madrugada (do dia 31 para o 1º) no hospital”, relatou o morador de Peruíbe, que comemorava a virada do ano com os pais, irmã e sobrinhas, moradores de Praia Grande. Em conversa com A Tribuna, Edgard conta que sua família mora em frente à praia no bairro Guilhermina e possui a tradição de se reunir na faixa de areia para assistir a queima de fogos. No entanto, como sua sobrinha mais nova, de 7 anos, ficou com medo do barulho, sua irmã e cunhado ficaram com ela no saguão do prédio, enquanto seus pais, a sobrinha mais velha e a companheira dela o acompanharam até a praia. A família chegou à faixa de areia por volta das 23h40. “Vimos muitas pessoas soltando fogos e por isso não ficamos próximos da água”, afirma o professor, dizendo que tentou se afastar de quem estava com rojões. Porém, isso não foi suficiente para evitar a tragédia. Os familiares foram atingidos por volta das 23h50 e pouco antes tinham tirado fotos no local. De acordo com Edgard, ele chegou a ver o fogo indo em sua direção e esta foi a última visão antes de ‘apagar’ por segundos e levantar assustado. “Vi sangue escorrendo na minha perna, ouvi um zumbido por conta da explosão, mas só queria saber se todos estavam vivos”, relembra, dizendo que a adrenalina não o deixou sequer sentir dor. [[legacy_image_236960]] O professor ainda conta que com os ‘flashes de memória’, a família chegou na conclusão de que o rojão bateu na região da barriga de sua sobrinha, a pedagoga Érika Panca Seabra, de 26 anos, antes de explodir no chão. “Por isso machucamos as pernas”, explica. “Até o meu cérebro raciocinar o que tinha acontecido levou alguns segundos, parecia que eu estava paralisada e todos em volta se movimentavam rápido”, relembra Érika. Ela diz que ficou em estado de choque. “Um casal veio até mim e eu não conseguia parar de chorar. O rapaz falava ‘calma, não tem nada na sua mão, foi só o susto’. Mas eu só consegui falar algo quando meu avô chegou”, afirma, dizendo que a única coisa que falou era que queria ir embora. Além de Edgard e Érika, a companheira da pedagoga, Evelyn de Gois Meses, de 30 anos, também se feriu. Os pais do professor, Laércio Luiz Panca, de 75 anos, e Natalia Costa Monteiro Panca, de 71, não tiveram ferimentos físicos. “Mas a minha mãe ficou sem ouvir direito por conta do barulho”. Após a explosão, Edgard ainda precisou dirigir até unidades de saúde para socorrer a família. Ele diz que chegou a encontrar uma ambulância no local, mas foi orientado a procurar atendimento por meios próprios. Edgard deixou Érika e Evelyn em um hospital em Praia Grande e, mesmo ferido, dirigiu com os pais até um complexo hospitalar em Santos, onde aceita seu convênio médico. [[legacy_image_236961]] Todos foram medicados, mas o maior dano foi o psicológico. “Foi um trauma. Estou tendo insônia, não consigo dormir direito. Uma família inteira poderia ter morrido, então foi uma data de renascimento para nós”, ressalta o professor. Érika concorda com o tio. “Na hora foi desesperador, mas depois vieram os questionamentos e a raiva. Era para minha irmã de sete anos ter ido”, conta, dizendo que muitas hipóteses passaram por sua cabeça. “Na volta do hospital eu só via as pessoas felizes na rua, mas eu só conseguia ficar brava. O grupo que estragou nossa noite certamente está curtindo”, enfatiza, dizendo que teve dificuldade para dormir nas primeiras noites, revivendo a cena em sua cabeça. Edgard se diz indignado com a fiscalização da cidade. “Mesmo sendo proibido a comercialização e soltura desses tipos de fogos de artifício, não havia fiscalização de nenhuma parte. Minha família teve sorte de não ter acontecido nada de muito grave, diferente da outra moça que veio a óbito”, finaliza o professor, que teme perder a tradição familiar de fim de ano. PrefeituraQuestionada sobre a falta de fiscalização nas praias, a Prefeitura de Praia Grande informou que "foram realizadas forças-tarefas na noite da virada do ano por equipes das Secretarias de Urbanismo, Segurança Pública, Trânsito e Meio Ambiente para coibir a comercialização e utilização de fogos de artifício na Cidade" e não houve autuação ou apreensão relacionada à atividade. Ainda segundo a Administração Municipal, a Lei Municipal n° 744, de outubro de 1991, proíbe a venda e comercialização de fogos de artifício no município. Desta forma, a Prefeitura afirmou que "conta com o apoio da população para que não utilize este tipo de produto, que coloca em risco a vida das pessoas".