Cenas do cotidiano ganham outro olhar pelas lentes sensíveis e empáticas dos fotógrafos (JÚLIO CÉSAR ALMEIDA/DIVULGAÇÃO) Sob o olhar de dez artistas, a memória e o afeto da população negra ocupam os espaços, ultrapassam as lentes e ganham forma por meio das fotografias. O projeto Afeto e Memória tem como ponto de partida o registro de imagens sobre manifestações culturais do Brasil e fora dele, propondo a reflexão sobre como o fazer da fotografia, o afeto e a memória estão interligados. Depois de ficar em cartaz no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, na Capital paulista, em 2023, e passar por Campinas e Santos em agosto e setembro últimos, a mostra encerra o ano com temporada em Praia Grande, no Palácio das Artes, de 31 de outubro a 22 de novembro. A exposição é gratuita e tem curadoria de Bárbara Copque e Rosane Borges, trazendo 40 fotografias dos artistas Bete Marques, Daisy Serena, Eliária Andrade, Gsé Silva, Helen Salomão, Ina Henrique Dias, Júlio César Almeida, Mari Ser, Nego Júnior e Rodrigo Zaim, retratando a população negra em seus espaços cotidianos, mostrando a riqueza e a complexidade da experiência negra com o tema. Cada fotografia apresenta uma história única, imortalizando momentos de trocas no dia a dia, territoriais, em família, abordando a conexão com o sagrado, com a ancestralidade e o corpo como o grande guardião da memória. Por meio dessas fotografias, o público é convidado a refletir sobre a complexidade das emoções e os laços afetivos presentes nas comunidades negras, ampliando a compreensão e o reconhecimento da contribuição da cultura afro-brasileira para a sociedade. Mostra dá visibilidade e reconhecimento à narrativa preta por meio de suas vivências (ELIÁRIA ANDRADE/DIVULGAÇÃO) Para a fotógrafa e idealizadora do projeto, Eliária Andrade, em “um país onde a maioria das pessoas é preta e sempre esteve à margem da produção cultural, a exposição tem como premissa proporcionar um espaço de visibilidade e reconhecimento para fotógrafos negros e suas narrativas”. “Iniciativas como esta visam colaborar com o fortalecimento da narrativa preta através das suas memórias e vivências culturais, além da representatividade”, complementa. No dia da abertura, haverá uma roda de conversa com artistas que participam da mostra. O Palácio das Artes fica na Avenida Presidente Costa e Silva, 1.600, Boqueirão, em Praia Grande.