A estrela-do-mar, da espécie identificada como Luidia senegalensis, é considerada vulnerável à extinção e apareceu em Praia Grande (Arquivo pessoal / Hebe Gomes Dorado) Uma estrela-do-mar de oito braços chamou a atenção de quem passou pela orla da Praia do Canto do Forte, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, na manhã desta terça-feira (14). A espécie rara, identificada como Luidia senegalensis, é considerada vulnerável à extinção. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A professora aposentada e moradora da região, Hebe Gomes Dorado, de 76 anos, costuma caminhar diariamente pela Praia do Canto do Forte e, vez ou outra, se depara com situações inusitadas. Desta vez, segundo ela, o encontro com a estrela-do-mar chamou a atenção e a deixou encantada. “Eu tive a oportunidade de ver e peguei com receio”, diz. No registro feito pela munícipe de Praia Grande, ela entrega o animal a outra banhista que passava pela orla, que o devolve ao mar. A estrela-do-mar estava viva. -Estrela-do-mar em Praia Grande (1.510066) Conheça a espécie De modo geral, as estrelas-do-mar possuem cinco braços, mas o exemplar encontrado apresentava oito. No litoral de São Paulo, há ocorrência da espécie Luidia senegalensis, conhecida como estrela-de-nove-pontas, que pode apresentar variações no número de braços (algumas com oito). O biólogo Ricardo Samelo explica que o animal registrado provavelmente pertence a essa espécie, que já foi observada em março deste ano nos municípios de Mongaguá e Itanhaém. “Elas são inofensivas, não causam nenhum tipo de dano se manuseadas, mas este ato deve ocorrer apenas para devolvê-las ao mar se estiverem presas na areia. Elas se deslocam com muita dificuldade fora da água, geralmente não conseguem se mover. Se os frequentadores das praias puderem devolvê-las ao mar é sempre bom”. O biólogo esclarece que as estrelas-do-mar possuem um sistema de locomoção formado pelos chamados pés ambulacrais, que funcionam por meio de um mecanismo hidráulico que utiliza a água do mar. Fora da água, esse sistema não opera de forma eficiente. No vídeo, é possível perceber que o animal ainda está vivo, já que movimenta essas estruturas. Apesar do nome, não se tratam de “pés” propriamente ditos, mas de pequenos tubos com ventosas na extremidade, que auxiliam na locomoção e fixação. Cada estrela-do-mar pode ter de centenas a milhares dessas estruturas. A variação de oito para nove braços na espécie é considerada normal, “não é algo raro, mas o convencional para a espécie são nove braços. Vale lembrar que, em algumas pesquisas envolvendo biodiversidade marinha no Brasil, a espécie é classificada como em estado de conservação vulnerável”.