Lucas Salgado afirma ter sido agredido por agentes da GCM de Praia Grande (Arquivo pessoal) Um empresário, de 29 anos, alega ter sido agredido por guardas civis municipais enquanto retornava para casa em uma bicicleta em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Lucas Salgado diz ter sido surpreendido por uma equipe da Rondas Ostensivas Municipais (Romu) ao deixar uma adega. “Eles me torturaram”, disse. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Prefeitura de Praia Grande informou, em nota, que o homem estava visivelmente alcoolizado e tentou furar o bloqueio da guarda duas vezes, descumprindo a ordem de parada. Ainda segundo a Administração Municipal, houve uma confusão generalizada e um agente precisou ser atendido em um pronto-socorro (PS). -Veja o vídeo (1.456790) A agressão, segundo Lucas, ocorreu em 22 de março, na Avenida São Jorge. Ele diz ter sido abordado assim que passou por uma equipe da Guarda Civil Municipal (GCM) que estava próxima à adega de um amigo, no momento em que deixou o estabelecimento para buscar o carregador do celular em sua casa. Ao passar pelas viaturas, ainda de acordo com Lucas, um dos agentes chutou o pneu da sua bicicleta para que ele parasse. Em seguida, de acordo com ele, um guarda o abordou pelas costas e o agrediu com um cacetete. Nesse momento, Lucas teria retornado à adega. Lucas também afirma ter sido ameaçado a não denunciar agressão (Arquivo pessoal) Momentos depois, no entanto, os guardas apareceram no local, segundo Lucas, e o levaram algemado próximo às viaturas, impedindo a aproximação da população apontando armas. No local, o homem teria sido agredido por diversos agentes. “O que eu sofri foi mais do que abuso de autoridade. Eles me torturaram, não vou nem falar lincharam, eles me torturaram. Me agrediram demais”, afirma Lucas. As agressões só cessaram, ainda segundo Lucas, após ele revelar ter um parente na Corregedoria da Polícia Civil. Na sequência, os agentes consultaram a documentação e pediram para que Lucas deixasse o local. Ele diz ter solicitado aos guardas que o levassem à delegacia ou ao hospital, porém os agentes teriam recusado a solicitação. Lucas ainda conta que foi ameaçado por um dos oficiais, que disse que iria “sumir com ele” caso registrasse o caso na delegacia. “Eles têm que pagar pelos erros que fizeram comigo. Eu não merecia passar pelo que passei e pelo que estou passando, porque meu psicológico está abalado”, conclui. A ocorrência foi registrada como lesão corporal e ameaça no 1° Distrito Policial (DP) de Praia Grande, onde é investigada. Defesa Por meio de nota, o advogado Bruno Yamamoto, que representa Lucas Salgado, considerou o caso como grave e preocupante. "Meu cliente foi brutalmente agredido por agentes da Guarda Civil Municipal da Romu, ao lado de sua casa e sem qualquer justificativa. Esse tipo de conduta mancha o nome da GCM de Praia Grande, uma instituição que desempenha um papel essencial na cidade", alega. A defesa acrescenta que aguarda o despacho do delegado do caso para a continuidade das investigações. O advogado acrescenta que a questão será encaminhada ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e que também foi feito um requerimento junto à Corregedoria da GCM para a instauração do procedimento investigatório. "O que aconteceu não pode ser ignorado. A violência policial, o abuso de autoridade e a tortura devem ser combatidos com rigor, não apenas para garantir justiça a Lucas, mas também para impedir que outros cidadãos passem pela mesma situação", finaliza o advogado. O que diz a Prefeitura De acordo com a Prefeitura de Praia Grande, a GCM foi acionada para comparecer em local onde haveria um baile funk alvo de reclamações sobre perturbação de sossego. As equipes da Romu, então, se posicionaram para evitar tumultos, mas houve aglomeração e xingamentos contra os agentes. A Administração Municipal acrescenta que o empresário estava visivelmente alcoolizado quando tentou furar o bloqueio dos agentes, descumprindo a ordem de parada e colocando-se em posição de luta. Em seguida, segundo a Prefeitura, houve uma confusão generalizada, com garrafas e pedras sendo lançadas contra os guardas. Ainda de acordo com a Administração Municipal, os GCMs agiram para controlar os ânimos dos envolvidos na confusão. Um agente ficou ferido e recebeu atendimento médico no Pronto-Socorro (PS) Quietude.