Prodígio aos 7 anos, o bailarino premiado Anthony Caio Almeida Silva, de 16 anos, já possui uma carreira notável na dança e no teatro musical (Divulgação) Predestinado, o bailarino Anthony Caio Almeida Silva, de 16 anos, descobriu a dança aos 6 e se tornou um prodígio aos 7, em Praia Grande, no Litoral de São Paulo. De lá para cá, construiu uma carreira de sucesso no balé e no teatro musical e está prestes a realizar o seu primeiro grande sonho. No próximo dia 23, ele viaja aos Estados Unidos para estudar na renomada escola Miami City Ballet, em Miami, na Flórida. Anthony foi contemplado com uma bolsa de estudos, com tudo pago, ao ser selecionado no festival de dança YAGP Brasil, realizado no Rio de Janeiro (RJ), em outubro de 2023. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Dono de uma carreira bem-sucedida no balé, Anthony integra, atualmente, o Corpo de Baile Lapidari Núcleo de Artes e Dança, em Praia Grande, cidade onde reside e recebeu o estímulo para desenvolver o seu talento inato. “Eu me sinto muito honrado, porque poucos brasileiros conseguiram essa bolsa. Estou indo com altas expectativas. É uma experiência única, será um grande passo para a minha carreira profissional, um salto, e, também, vai abrir portas para várias outras oportunidades de bolsas ou vagas em outras companhias. Eu estou muito feliz por fazer o que eu amo e trabalhar com o que eu gosto!”, afirma o dançarinho. Segundo a mãe de Anthony, a empresária Andreia Guedes, ele foi o escolhido entre 414 bailarinos. “Ele ganhou cinco bolsas para três países diferentes, mas a escola Miami City Ballet, nos Estados Unidos, foi a que moveu o nosso coração. Ele ganhou tudo: visto, passagens aéreas de ida e para ele vir me ver nas férias, hospedagem, alimentação e cachê, que é uma ajuda de custo para ele se manter lá em Miami, além de uniforme e sapatilhas”. “A gente só tem orgulho dele, sabe? Eu estou muito feliz pela bolsa, mas já estou com saudade!”, declara a mãe do dançarino com a voz embargada. Andreia diz que o maior sonho de Anthony é se apresentar na Broadway, em Nova York. “Ele sempre quis estudar nos Estados Unidos porque o sonho dele é se apresentar na Broadway. Tanto que ele ganhou bolsas para Boston, Filadélfia e São Francisco, nos Estados Unidos, uma para a Itália e uma para a Alemanha, mas escolheu Miami”, declara. Contudo, para isso, Anthony ainda tem uma longa jornada. Andreia explica que ele precisa conseguir permanecer na escola Miami City Ballet até os 18 anos de idade para se profissionalizar e, enfim, aumentar suas chances de ser escalado para atuar em espetáculos da Broadway, em Nova York. Anthony, que, além de dançar, já atuou em peças teatrais, diz que o seu ídolo é o lendário ator e bailarino letão naturalizado norte-americano Mikhail Baryshnikov. Andreia se emociona ao falar sobre a conquista da bolsa. “Ninguém sabe como é a vida de um bailarino. Meu filho não sabia andar de bicicleta, porque ou ele andava de bicicleta e se lesionava, ou ele dançava. (Ele) Abriu mão de sábados, domingos e feriados. Enquanto muitos amiguinhos estavam na praia, em viagens ou de férias, ele não fazia nada disso. Ele respira a dança”, relata. Apenas um ano depois de iniciar na dança, Anthony já apresentava uma performance notável, mas não encontrava espaço, nem roupas e sapatilhas masculinas para praticar balé. Então, sua mãe resolveu enviar um email ao programa Encontro, da Rede Globo, contando a história do filho, o que sensibilizou a equipe. “Em 2015, quando ele tinha 7 para 8 anos, eu mandei um email para a Fátima Bernardes (apresentadora na época) contando a nossa dificuldade, só tinha roupas e sapatilhas para meninas, e a equipe do programa se interessou em fazer uma matéria com ele, com a pauta sobre o preconceito contra meninos no balé. Ele foi ao programa e foi um sucesso”, conta a mãe, com orgulho. O despertar para a dança O despertar para a dança ocorreu ainda na escola, vendo as alunas nas aulas de balé. Mas, foi no Programa de Integração e Cidadania (Pic) do bairro Tude Bastos, onde Anthony deu os primeiros passos. Contudo, foi na companhia de Dona Aracy de Almeida que ele percebeu a sua vocação para a arte. A partir daí, iniciou as aulas de balé clássico, sapateado, jazz, hip-hop e dança contemporânea, participando de exames importantes como o da Royal Academy Of Dance, apresentações em competições de festivais de dança nacionais e internacionais. Já no primeiro festival de dança no qual participou, em Campos do Jordão, ficou em primeiro lugar, conquistando a sua primeira medalha, além de ser premiado por melhor conjunto. Em 2015, atuou no documentário chamado “Repense o Elogio”, de Estella Renner, para uma marca de cosméticos. Na dança, recebeu vários prêmios em diversos festivais com a coreografia Fábrica de Bonecas, onde atuou com outras duas parceiras, recebendo a indicação de melhor bailarino no Fidifest Brasil, um dos mais importantes do País. Anthony recebeu ainda o prêmio de Bailarino Revelação e o de Melhor Bailarino, do Festival Santista de Dança (Fesadan), entre outros. Em 2019, a sua história inspirou o livro infantil “Meninos não dançam balé”, de Sarah Naranjo e Fernando Curti, que retrata a importância do apoio da família na caminhada de um bailarino. No teatro, ingressou na escola Beto Guedes e na escola Estúdio Broadway, de onde partiu o convite para atuar no musical “A Megera Domada: O Musical”, dirigido por Fernanda Chamma, Cininha de Paula e Cynthia Falabella. Na companhia profissional Cia London, foi escalado para o papel do jovem Merlin, na peça “Avalon”. Logo depois, participou da novela “As aventuras de Poliana”, no SBT, e da seleção para o musical Billy Elliot, onde ficou entre os cinco finalistas. Ainda em 2019, foi selecionado, entre 3.500 crianças, para a campanha publicitária “O amor que deixa ser”, da Nestlé, participando ainda do comercial do Leite Ninho, que lhe rendeu um documentário biográfico, atualmente disponível no Youtube. Festivais de dança Finalista do festival YAGP, um dos maiores festivais internacionais realizados no Brasil, Anthony foi selecionado, juntamente com a sua parceira, para participar do festival de dança em Tampa, na Flórida (EUA), mas não participou, pois aceitou o convite dos diretores Cininha de Paula (sobrinha de Chico Anysio) e Miguel Falabella para compor o elenco do musical “O Coro: Sucesso, aqui vou eu”, em exibição no canal Disney Plus. Atuou ainda no espetáculo “A Casa de Bernarda Alba”. Em 2022, participou do “Santos Dance Festival, onde foi selecionado para competir no festival Tanzolymp, em Berlim, na Alemanha. Neste mesmo ano, convidado novamente por Cininha de Paula, atuou na peça musical "A Escolazinha do professor Raimundo, em memória de Chico Anysio, no aniversário de 10 anos de sua morte, onde interpretou o Seu Peru, homenageando o grande ator e humorista Orlando Drummond”, entre outros inúmeros trabalhos no teatro e na dança.