Um dos desafios foi encontrar um lugar adequado para as aulas (Divulgação) Transformar a vida. Essa é a meta do Cursinho Comunitário Sambaqui, que oferece aulas gratuitas para os estudantes de Praia Grande que desejam prestar vestibular. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a coordenadora do projeto, Vera Oliveira, a ideia de um cursinho tão específico surgiu em 2018, quando ela e um grupo de colegas perceberam que uma parte dos estudantes dos colégios públicos de Praia Grande estava perdendo interesse por buscar vaga em universidades. “Alguns jovens queriam deixar a escola para trabalhar e complementar a renda familiar”, diz Vera. Com o apoio de quatro professores voluntários, o curso recebe os alunos aos finais de semana. O período de aulas é de abril a outubro, podendo ser prorrogado em novembro, em vista da proximidade dos vestibulares da USP e Unicamp. Hoje, são 40 estudantes de diferentes bairros de Praia Grande. Interessados em participar devem preencher o formulário na página do cursinho no Instagram (@sambaqui_cursinhocomunitario). Local adequado Vera salientou que o principal desafio do projeto foi encontrar um local disponível para comportar os estudantes. O curso já passou por escolas, igrejas e entidades. Hoje, as aulas são ministradas na sede de um partido político, na Rua Afonso D’Escragnolle Tauany, no bairro Esmeralda. Outro ponto que justifica a presença do projeto foi a pandemia de covid-19, que escancarou a desigualdade da educação no País. “Foi uma grande batalha, muitos alunos não tinham notebook e estudavam pelo celular, porém a qualidade da internet não era boa”. Além de Vera, o professor Maurício Barbosa também está na coordenação geral do projeto Cursinho Comunitário Sambaqui. Orgulho é ver os alunos entrando na faculdade O maior retorno do projeto é ver os alunos tendo sucesso no vestibular. Ano passado, a jovem Cíntia Amorim, que participou regularmente do cursinho, foi aprovada na Universidade de São Paulo (USP) em dois cursos: Gestão de Políticas Públicas e Turismo. Já Nelson Manoel está fazendo química na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ele trabalhava como feirante e conseguiu superar barreiras para estudar e passar, em 2021. Vera Oliveira cita o sentimento de missão cumprida com a aprovação dos alunos, mas relembra a necessidade de uma reforma no processo para o vestibular. “Entendemos que os jovens não têm tempo para escolher um curso. É uma pressão que eles passam no fim do Ensino Médio, precisamos repensar esse modelo”.