[[legacy_image_326355]] A mãe Mariana Vitoriano, de Praia Grande, abriu uma vaquinha on-line com o objetivo de adquirir um carrinho postural (cadeira de rodas adaptada) para a filha de 9 anos, que sofre de anoftalmia bilateral (ausência do globo ocular), autismo e paralisia cerebral. A Tribuna conversou com a mulher no sábado (13). Segundo o orçamento feito em novembro de 2023 e disponibilizado pela responsável, o valor do utensílio especial é de R\$ 27 mil. A paciente Maria Clara Vitoriano tem 9 anos e nasceu sem a capacidade de andar. De acordo com o relato da mãe, alguns anos atrás a família recebeu uma cadeira usada, mas que já está pequena e não traz a mesma segurança. Até o momento, a vaquinha arrecadou aproximadamente R\$ 3 mil, com 30 apoiadores. Para contribuir com o caso, basta realizar a doação por meio deste link. [[legacy_image_326356]] HistóriaMariana foi mãe aos 15 anos. Quando descobriu sobre a gestação, aceitou a ideia e começou a sonhar e planejar o futuro. Com 7 meses, recebeu a confirmação médica de que a menina tinha uma má formação e era deficiente. "A notícia mudou minha vida. No mesmo ultrassom que me mostrou o sexo da bebê, mostrou a ausência do globo ocular." "Meu mundo desmoronou, todos os planos que havia feito não se encaixavam mais. Fiquei alguns minutos deitada chorando, tentando processar a notícia. Posso dizer que foram os 2 meses que mais tive força e medo em minha vida". "Eu não sabia oque estava por vir, nunca tinha visto uma criança sem o globo ocular. Minha filha não iria me ver assim que nascesse, minha filha não iria ver as luzes do Natal". Maria Clara nasceu com insuficiência respiratória, mas alguns minutos após o nascimento a mãe pode segurá-la no colo. "Era difícil saber quando ela estava acordada e quando estava dormindo. Confesso que até hoje me confundo às vezes." De acordo com a mãe, as pessoas olhavam para a bebê com cara de medo e dó, o que acabava à deixando brava e provocando brigas. Alguns anos depois, Mariana conheceu o atual esposo e engravidou do segundo filho, Estevan, que atualmente está com 4 anos. Mesmo sem ter recebido nenhuma explicação, o garoto entende que a irmã é diferente e que precisa de mais cuidado e atenção. [[legacy_image_326357]] Na Baixada Santista, Maria fez acompanhamento no Lar das Moças Cegas. A família ia de Itanhaém (onde moravam na época) à Santos duas vezes por semana e esperava por 4 horas, até o fim das sessões. A garota teve alta na instituição em 2022. Em seguida, a menina passou por uma cirurgia no tendão de Aquiles das duas pernas e fez acompanhamento no Centro Especializado em Reabilitação (CER) de Praia Grande, onde residem atualmente. Agora, Maria Clara é matriculada na escola Visconde de Mauá, no bairro Ribeirópolis. Conforme relatos da mãe, as outras crianças tem muito cuidado, são prestativos, ajudam, querem estar sempre perto. "Para falar a verdade, meu maior medo era aceitação das crianças e o cuidado da auxiliar, mas graças a Deus todos zelam muito por ela". [[legacy_image_326358]] A mãe comenta que ela gosta muito de ursinhos que fazem barulhos, brinquedos com texturas diferentes, música, cantar e sair para ouvir vozes diferentes. "Apesar de todas as dificuldades, ela está sempre sorrindo. É muito difícil vê-la triste". "Eu tive o privilégio de aprender tantas coisas e sei que ainda tenho muito a aprender. Como mãe, penso que a vida já tirou muita coisa dela, e o que eu puder fazer para melhorar eu farei. Mas dessa vez, a situação é cara, então precisarei de ajuda", conclui.