[[legacy_image_64166]] A dor de enterrar um familiar se torna ainda mais dolorosa quando a família não sabe onde estão os restos mortais do falecido. Foi o que aconteceu com uma artesã de Praia Grande, que luta para poder recuperar os ossos de seu pai, falecido há 4 anos. Segundo ela, a prefeitura retirou o corpo do lóculo do cemitério municipal e despejou os ossos em um depósito, sem direito a resgate. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Alexandre Rodrigues dos Santos faleceu aos 91 anos em novembro de 2017. Seu corpo foi enterrado no Cemitério Morada da Grande Planície em 11 de novembro daquele ano. A filha Cleide Rodrigues dos Santos, de 51 anos, afirma que existia um contrato de três anos para que seu pai ficasse enterrado no espaço dentro do cemitério. "No dia do enterro do meu pai, me entregaram um papel dizendo que eu tinha de 90 a 180 dias antes de completar os três anos para fazer a renovação. Um dos pré-requisitos foi de manter o espaço limpo e totalmente modernizado. Fizemos o embelezamento do cabrito [gaveta para o caixão], colocamos uma placa. Gastamos um dinheiro que nem tínhamos", relembra. No entanto, a pandemia atrapalhou os planos de Cleide, uma vez que ela foi morar com a mãe e o marido, e todos eles pertencem ao grupo de risco e, por essa razão, em raras vezes saíram de casa. Em 21 de janeiro, a artesã levou a mãe para fazer uma bateria de exames médicos, adiados por conta da pandemia, e resolveram ir até o cemitério para resolver a questão de renovação do túmulo. [[legacy_image_64167]] "Disse para a minha mãe aproveitarmos e ir no cemitério ver como está a questão. Informamos o nome do meu pai, documentação, e disseram que tinha exumado o corpo do meu pai, sem direito a resgate, e jogaram os restos mortais em um depósito. Questionei o pessoal responsável, mas disseram que não podiam fazer nada a respeito", afirmou Cleide, que disse que quando foi até o espaço onde o pai estava enterrrado, o corpo de uma outra pessoa estava no lugar. Após a morte do pai, Cleide e os familiares modernizaram a tumba, com uma placa especial e um altar em forma de homenageá-lo. No entanto, tudo o que foi feito foi quebrado e despejado por ordens municipais. "Quando contaram o que tinha feito, corri para ver se era verdade e não tinha vestígio nenhum do que fizemos. O espaço estava com um cimento, com a escritura de uma outra pessoa, que havia falecido no dia 13 de novembro, dois dias depois da data em que sumiram com os restos do meu pai". [[legacy_image_64168]] Procura por resposta A artesã afirmou que procurou a ouvidoria da Prefeitura de Praia Grande para ver se algo podia ser feito, levando em conta que muitos setores da cidade pararam em razão da pandemia. "Eu sou a primeira a admitir em fazer um 'mea culpa' de que não fomos fazer a renovação. Mas, em uma situação de pandemia, com as pessoas em casa, faltou uma grande sensibilidade da prefeitura. Montamos algo tão especial para o meu pai e simplesmente quebraram tudo e jogaram no lixo. Sem um pingo de respeito", desabafou. Em 21 de fevereiro, a mãe de Cleide, Dona Maria do Carmo Rodrigues, de 84 anos, procurou a reportagem de ATribuna.com.br para explicar o caso em que o cemitério de Praia Grande havia sumido com o corpo do marido. Após todo o tempo de trâmites burocráticos, Cleide contou que a mãe ficou desesperada ao serem informadas. "Ela ficou muito desesperada. Saiu gritando pelo cemitério, que é a primeira reação que se tem. Realmente ficamos desacreditadas que tinham feito o que estavam falando", disse. O que diz a Prefeitura Em nota, a Secretaria de Serviços Urbanos (Sesurb) de Praia Grande afirmou que todo o trabalho e prazos relacionados ao Cemitério Municipal seguem diretrizes fixadas por lei. Na cidade, os restos mortais são retirados após três anos, exceto se o responsável (e na falta de algum familiar) requerer prorrogação por mais dois anos. Os responsáveis são convocados por edital, publicado no quadro de avisos da Prefeitura e em jornal de grande circulação para que no prazo de 90 dias, a contar da data de publicação do edital, compareça na administração do cemitério para dar destino aos restos mortais. Esgotado o prazo, é realizada a remoção dos restos mortais para o ossuário geral, onde não é possível o resgate. Durante o sepultamento, o responsável assina termo de ciência sobre o procedimento e é informado sobre todos os prazos. O Cemitério, inclusive, fica à disposição da população para esclarecimentos, tirar dúvidas e passar orientações para os moradores sobre o sistema através do telefone 3496-5678, durante todos os dias da semana. [[legacy_image_61569]]