[[legacy_image_321986]] Coxinhas, latinhas, rifas e kimonos. Esses foram os itens que Luiza Martins, de 15 anos, teve que vender para ajudar a mãe a pagar a formatura que quase não aconteceu em Praia Grande. Ela era uma dos 20 formandos do 9º ano da Escola Municipal Joaquim Augusto Ferreira Mourão, que foram vítimas de um golpe causado pelo Buffet Carla Arruda, contratado para realizar a festa e que não apareceu.A festa de formatura estava programada para acontecer na última quinta-feira (21) às 19h30, mas, quando chegaram ao local, formandos encontraram o salão vazio. Os pais e a professora responsável tentaram entrar em contato com a fornecedora, mas até o momento ela não foi localizada. Tanto a cerimônia, como a festa de formatura, tiveram que ser improvisadas. A mãe de Luiza, Aline Cristina Martins, de 37 anos, conta que desde quando soube da intenção da filha em participar da formatura, ficou um tanto hesitante, por saber que seria difícil pagar. Ela e o marido são donos de um bar na Cidade, e contam que pagaram as primeiras três parcelas do total de R\$ 900 com muita dificuldade. “Eu fui com o dinheiro do bar, mas depois ficou pesado. Aí ela disse que ia me ajudar e começou a fazer rifas de cestas de chocolate. Ela também pegava as latinhas do bar, levava tudo no sol, de bicicleta ou de carrinho, para poder arrecadar algum dinheiro e ajudar na parcela da formatura”, relata a mãe. Aline conta que Luiza pratica karatê desde os seis anos e, por isso, tinha vários kimonos em casa. Por eles terem ficados pequenos, a aluna teria resolvido vendê-los também para a formatura. A mãe conta que diversas pessoas estiveram empenhadas em ajudar a jovem, inclusive professores, a diretora e amigos, que chegaram a comprar os itens vendidos por ela. As iniciativas da aluna deram tão certo que ela teria conseguido pagar até o vestido usado, penteado e maquiagem com o dinheiro arrecadado. Além disso, Luiza também conseguiu pagar o convite da irmã Sarah, que até então não iria, por conta do valor. “Todo mundo via o empenho dela. Esse dinheiro foi conseguido com esforço, é um dinheiro de trabalho, tanto o meu, quanto da minha filha e de todos os pais”, declara. Aline conta que quando a filha viu o que havia acontecido ficou muito triste, e não acreditava. Em um vídeo cedido à reportagem de A Tribuna, a mãe aparece tentando consolar a filha (veja abaixo). “Minha filha não quis demonstrar a frustração na hora, para que eu também não sofresse, mas ela está arrasada, pois tinha se preparado o ano inteiro”, comenta. ContratoDurante o ano, os pais pagaram pacotes com valores entre R\$ 900 e R\$ 1.340, divididos em 10 parcelas ou à vista. No contrato, a festa realizada pelo Buffet Carla Arruda previa o fornecimento da decoração, iluminação, becas, mobiliário, som e um cardápio com entradas, bebidas, salgados, ilha fria, jantar e sobremesa. Com tudo que aconteceu, Aline pede justiça. “Não é nem a questão do dinheiro, mas ela envergonhou os nossos filhos. Agradecemos a escola por não deixar 'a peteca cair', e improvisar a formatura, mas não foi o que esperávamos”, finaliza. ProcuradaCarla Pereira Loureiro Arruda, proprietária do buffet contratado pelos formandos, foi procurada via telefone, mensagem e em sua residência, mas até o momento não foi localizada. A Reportagem de A Tribuna também tentou entrar em contato com a fornecedora, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.A Polícia Militar informou que compareceu no local para atender um desentendimento, e orientou as partes a registrarem um boletim de ocorrência de forma online ou em alguma delegacia. A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) também foi procurada sobre o ocorrido, mas disse que não localizou registros sobre o caso. EscolaA Prefeitura de Praia Grande, por meio da Secretaria de Educação (Seduc) informou que os pais de um grupo de aproximadamente 20 alunos do 9º ano da EM Joaquim Augusto Ferreira Mourão fizeram a contratação de forma individual e particular da empresa que ficou responsável em realizar a festa, entretanto a mesma não cumpriu o acordado.Diante disso, a Seduc afirma que a direção da unidade escolar, além de fazer o registro do Boletim de Ocorrência (BO) e orientar os pais para que fizessem o mesmo, juntamente com os docentes e responsáveis legais, empenharam-se e asseguraram a festa de formatura aos referidos alunos, porém de porte mais simples. Por fim, a pasta finalizou dizendo que lamenta o ocorrido, e se sensibiliza com os familiares dos estudantes. Veja o vídeo: