Uma das propostas é que turistas possam ter contato com arco e flecha (Divulgação) Oferecer uma experiência imersiva, com foco na preservação ambiental e cultural e na vivência do cotidiano de uma aldeia indígena. Essa é a proposta dos líderes da aldeia Tekoa Mirim, em Praia Grande. Eles criaram um projeto de hospedagem cultural que alia disseminação da cultura e preservação do meio ambiente, podendo garantir geração de renda ao povo Guarani Mbya. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “É uma maneira também de mostrar quem somos. Queremos que as pessoas venham, escutem nossas histórias, comam com a gente, aprendam com a gente. Isso também é resistência”, afirma Genesio Gonçalves, 52 anos, cacique da Tekoa Mirim. A ideia é que turistas passem um dia na aldeia, aprendendo práticas tradicionais, compartilhando refeições típicas e conhecendo a fundo a realidade indígena. Entre as atividades previstas estão uso de arco e flecha, agricultura, artesanato e outras práticas comuns da comunidade. A estrutura, segundo o cacique, já começou a tomar forma. Dois alojamentos com 50 camas beliches foram construídos, com prateleiras individuais para que os visitantes possam guardar seus pertences. A edificação foi custeada por uma empresa ferroviária como forma de reparação por ter ocupado acidentalmente parte do território da aldeia durante uma obra. A vivência inclui refeições preparadas pelos moradores da Tekoa Mirim, mas os visitantes também têm a opção de levar sua própria comida e utilizar a cozinha comunitária. Integrantes da aldeia Tekoa Mirim também se destacam no artesanato (Divulgação) Tecnologia Hoje, a comunidade enfrenta a difícil missão de manter suas tradições vivas em meio ao avanço da tecnologia. A presença constante da internet e das redes sociais, especialmente entre os jovens, convive com os rituais antigos, a língua guarani e as rodas de reza. “A tecnologia chega, mas a gente luta para manter nossa origem, nosso jeito. A língua, a reza, a terra, isso tudo ainda está aqui”, afirma o cacique da Tekoa Mirim. A proposta tem como aliado o Coletivo M’bya Reko, que atua no apoio às iniciativas indígenas e na valorização das culturas originárias, com mobilização nas redes sociais e apoio de parceiros e voluntários. Ainda não há definição de valores para a hospedagem. Mais do que uma alternativa de renda, o cacique diz que o projeto representa ao povo Guarani Mbya uma forma de ensinar e conectar diferentes realidades. Preservar tradições indígenas é um desafio com avanço da tecnologia (Divulgação) O que falta Para que o projeto comece a funcionar, o cacique diz que falta a aprovação da Secretaria de Cultura e Turismo de Praia Grande. A Prefeitura, no entanto, afirmou que nenhum projeto foi apresentado oficialmente ao setor responsável. Em nota, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informou que iniciativas de visitação com fins turísticos em terras indígenas, incluindo projetos de hospedagem ou turismo cultural desenvolvidos pelas próprias comunidades, devem observar as normas e diretrizes estabelecidas pela autarquia, com respeito à autonomia das comunidades, à privacidade, aos costumes e às formas próprias de organização social. Propostas dessa natureza devem ser apresentadas à Funai por meio de plano de visitação, com informações sobre os objetivos da iniciativa e as atividades previstas. *Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna - UniSantos sob supervisão da professora Lidiane Diniz e do diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes.