A presença de esgoto e outros poluentes pode potencializar a formação dessas espumas (Fagner Santos Paz/ @praiagrandeagora) Imagens publicadas nas redes sociais estão chamando a atenção dos internautas por conta da coloração ‘estranha’ da água do mar da Praia do Canto do Forte, em Praia Grande. O influenciador Fagner Santos Paz, de 40 anos, estava no local na segunda-feira (7) e flagrou a situação. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o biólogo Eric Comin, o fenômeno se trata de uma flotação, que é um processo físico-químico que pode ter diferentes origens, tanto naturais quanto provocadas pela ação humana. Ele acrescenta que a formação de espuma ocorre, em muitos casos, durante ressacas ou quando há forte agitação das ondas, que promovem a separação da gordura diluída na água. “Essa gordura pode ser proveniente de organismos marinhos ou de vegetais”, afirma o especialista. No entanto, Comin alerta que a presença de esgoto e outros poluentes também pode potencializar a formação dessas espumas. “O esgoto é o principal agente potencializador dessas espumas. A matéria orgânica vinda dele pode diminuir o oxigênio dissolvido na água e provocar a mortalidade de organismos aeróbicos”, explica. A coloração da espuma também pode indicar a sua origem. “Caso a água tenha alguma presença de esgoto, ela fica com um tom mais amarronzado ou amarelado”, destaca Comin. Ele acrescenta que, quando há uma concentração anômala de algas, a espuma pode assumir tonalidades verdes, marrons ou até azuladas. No caso específico da espuma observada em Praia Grande, o biólogo ressalta que ela não parece ser tóxica, mas sua formação pode estar relacionada com a presença de esgoto e outros resíduos. “Sempre que há muita espuma no mar pode ser um sinal de gordura natural ou de uma origem antrópica, como lixo e esgoto”, aponta. Comin recomenda cautela aos banhistas ao se depararem com situações como essa. “Uma coisa que deve ser observada é o odor da água. Se houver um cheiro forte, o risco para a saúde pública aumenta. Por isso, peço para que os banhistas evitem entrar no mar quando há essa espuma”, alerta. Ele ainda lembra da importância de verificar as bandeiras indicativas sobre a qualidade da água antes de mergulhar. “As praias possuem sinalizações que informam se a água está própria para banho. Na dúvida, sempre observe as bandeiras”, conclui. A Tribuna entrou em contato com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que, por meio de nota, informou que de acordo com o último boletim a praia está própria para banho. A equipe de reportagem também contatou a Prefeitura de Praia Grande e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), mas não recebeu um retorno até a publicação desta matéria.