Biólogo aponta que o hábito de algumas pessoas alimentarem os pombos contribui para o aumento da população local (Imagem ilustrativa/Pixabay) Se você costuma frequentar as praias do litoral de São Paulo, já se deparou com uma grande quantidade de pombos, sempre perto das faixas de areia e frequentemente incomodando os banhistas, turistas e a população em geral. Os animais, em busca de comida, aparecem especialmente quando as pessoas estão consumindo porções ou outros alimentos vendidos ou trazidos para a praia. Muitos frequentadores das praias já tiveram a experiência de ver essas aves tentando beliscar as migalhas que caem no chão, o que pode ser desconfortável para quem está tentando relaxar à beira-mar. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para entender melhor o motivo dessa presença em grande quantidade e os problemas associados aos pombos nas praias, A Tribuna conversou com o biólogo Rafael Silva, especialista do Aquário AquaFoz. Segundo ele, os pombos que vivem aqui no Brasil são descendentes de aves que habitam a Europa e a África. Sua introdução no Brasil remonta ao século 16, quando foram trazidos pelos portugueses, inicialmente como uma fonte de alimento. Com o tempo, esses animais fugiram e passaram a viver soltos, especialmente nas grandes cidades, próximas ao ser humano. Segundo Silva, a população de pombos cresceu descontroladamente, pois não há predadores naturais que limitem seu número. Além disso, eles se alimentam de uma grande variedade de alimentos, o que permitiu o crescimento exponencial de sua população nas áreas urbanas. Riscos Em relação aos problemas que podem ser causados por essas aves, o especialista destaca que um dos maiores deles é um fungo presente nas suas fezes, o Cryptococcus. Esse fungo pode causar doenças graves como pneumonia, meningite ou criptocose, uma infecção pulmonar. Embora o Cryptococcus não seja exclusivo das fezes dos pombos, a grande população dessas aves acaba faz com que elas sejam vetores importantes para a disseminação dessas doenças, especialmente em locais onde elas constroem seus ninhos ou pernoitam. “As praias oferecem uma abundante fonte de alimento devido ao grande número de pessoas que circulam por essas áreas. Isso cria um ambiente propício para os pombos, que conseguem facilmente encontrar comida. Além disso, o hábito de algumas pessoas alimentarem esses animais contribui para o aumento da população local. Sem controle, essa situação acaba gerando um desconforto para os banhistas e, como mencionei, problemas de saúde pública”, explica Silva. Controle Por fim, o especialista alerta para a necessidade de medidas de conscientização e controle populacional. “Existem medidas preventivas que podem ser tomadas, como campanhas de conscientização para que as pessoas não alimentem os pombos, além de métodos de controle populacional, como a remoção de ninhos em áreas urbanas. No entanto, é importante destacar que o pombo comum é uma espécie protegida pela lei dos crimes ambientais, o que significa que não se pode maltratar ou matar essas aves. Portanto, as soluções devem ser baseadas em métodos que respeitem a legislação e busquem o equilíbrio entre convivência humana e animal”, comenta.