Policiais que participaram de parto emergencial em Peruíbe, no litoral de São Paulo (Arquivo Pessoal/Anderson Rodrigues) Policiais militares geralmente passam o dia tentando lidar com a criminalidade, mas houve uma quebra de rotina em Peruíbe, no litoral de São Paulo: quatro PMs foram responsáveis por fazer um parto de emergência e trazer a pequena Ayla ao mundo na segunda-feira (23). “Foi uma quebra de paradigma”, diz o sargento Anderson Rodrigues, que participou da ocorrência. Ele revelou para A Tribuna que é pai de duas meninas e, por causa do trabalho, não pôde estar presente no nascimento das filhas. “Não consegui assistir os delas, mas ajudei uma menina a vir ao mundo’, celebra. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um dos significados do nome da bebê é “luz da lua”, mas ela chegou durante o dia mesmo. Os policiais estavam nas ruas do bairro Estância Antônio Novaes em busca de um procurado da Justiça, quando se depararam com um veículo com portas abertas parado próximo a uma casa. Eles chegaram a pensar que era um carro roubado, mas logo foram acionados para ajudar uma mulher que estava dando à luz dentro do imóvel. Segundo a Polícia Militar, quando os policiais chegaram a mulher já estava com fortes contrações e a bolsa amniótica rompida. Ayla nasceu com o cordão umbilical enrolado no pescoço. Apesar de ser uma situação considerada comum, é bastante perigosa, já que pode causar problemas de oxigenação para a criança, acarretando lesões cerebrais, distúrbios de fala, perda de visão e da memória e até mesmo a morte. “Quando a gente conseguiu tirar o cordão e fizemos uma massagem nas costinhas e limpou o rostinho dela, ela chorou. Aí foi aquele alívio”, lembra o sargento. Teoria vs. Prática Os quatro policiais que participaram dessa ocorrência foram “parteiros” de primeira viagem. Apesar de serem treinados na escola de soldados para lidar com situações como essa, na prática, a teoria é outra. “Foi uma experiência emocionante mesmo, mas na próxima eu passo, porque é emoção demais”, brinca o policial. Além do sargento Rodrigues, os outros policiais que participaram do parto da Ayla foram o cabo Rogério Lopes da Silva, o cabo Reginaldo Jaques Pires e o soldado Ronivan Guilherme Gomes da Silva, todos da 3ª Companhia do 29º Batalhão de Polícia Militar do Interior. Cada um desempenhou um papel durante o parto, desde ajudar a gestante a manter a calma a pegar a Ayla após o nascimento. “O que ajudou foi a gente já ter alguns equipamentos, como luvas, mas uma coisa que a gente teve que improvisar foi para cortar o cordão umbilical”, conta o sargento. Foi preciso fazer o corte com um pedaço de barbante para não haver risco de contaminação. A ação rápida dos policiais foi crucial para que Ayla viesse ao mundo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas só chegou após o nascimento da menina e transportou a mãe e a recém-nascida para o Hospital Regional de Itanhaém. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Peruíbe, estavam bem. “Parece que foi obra de Deus, porque estávamos na hora certa e no local exato”, diz o sargento Rodrigues.