O desaparecimento da espécie serve como um medidor para alertar problemas ambientais (Reprodução/UFRGS) No litoral de São Paulo, um crustáceo é o responsável por sinalizar a balneabilidade das praias. Conhecido como tatuí ou tatuíra, o Emerita brasiliensis chama a atenção por ser pouco conhecido e desempenhar um papel importante como bioindicador da qualidade ambiental das praias. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Embora possa passar despercebido aos olhos dos banhistas, sua presença tem grande importância para o equilíbrio das praias, já que ele se alimenta de partículas orgânicas da água, os plânctons, e filtra a matéria orgânica, contribuindo para o ciclo de nutrientes, como explica o biólogo marinho Eric Comin. Segundo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), seu nome de origem indígena, tatuí, vem do tupi, que significa “pequeno tatu”, em alusão ao seu formato e ao hábito de escavação. Ele consegue se enterrar rapidamente na areia, buscando proteção contra predadores e a força das ondas. Indicadores da qualidade da água Segundo pesquisas da UFRGS, os tatuís são considerados bioindicadores ambientais, ou seja, sua presença ou ausência pode indicar a qualidade da balneabilidade das praias. O biólogo Eric Comin reforça que o desaparecimento da espécie está associado a ações humanas que impactam as praias, como a poluição, o aumento do turismo e o crescimento imobiliário. Isso ocorre porque esses animais marinhos são extremamente sensíveis à poluição, à presença excessiva de matéria orgânica e à degradação do habitat costeiro. Em praias poluídas ou com alta interferência humana, como tráfego intenso de veículos na faixa de areia e despejo de esgoto irregular, a população de tatuís tende a diminuir drasticamente. “Poluentes químicos e orgânicos e resíduos sólidos, tanto na areia quanto no mar, são fatores altamente prejudiciais ao desenvolvimento e à sobrevivência da espécie. Pesquisas têm mostrado a presença de microplásticos nos tatuís. O pisoteio por pessoas é um comportamento de forte impacto na vida desses indivíduos“, explicou. Dessa forma, o desaparecimento da espécie serve como um medidor para alertar problemas ambientais que podem afetar toda a biodiversidade costeira e a saúde dos banhistas. Ameaças Apesar de não serem considerados animais com risco de extinção, os tatuís enfrentam desafios crescentes, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O turismo desordenado, a poluição e a ocupação irregular das faixas litorâneas impactam diretamente a espécie. Estudos indicam que a redução de tatuís da faixa de areia pode estar associada ao aumento da poluição, como veículos andando sobre a areia, que compactam o solo e dificultam a escavação desses crustáceos. O “engordamento” da praia, quando se coloca mais areia, muitas vezes artificial ou retirada de outras praias, para proteger a população do avanço do mar, provoca a asfixia e o soterramento deles, pontuou Comin.