Pelo quarto mês seguido, Baixada Santista tem alta em empregos

Novembro registra criação de 2.978 vagas; acumulado do ano, porém, ainda é negativo

A Baixada Santista fechou o mês de novembro com 2.978 novas vagas de empregos formais, com carteira assinada, de acordo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). É o quarto mês consecutivo de alta na região. O dado do órgão ligado ao Ministério da Economia aponta ainda para um crescimento de 10,2% em relação ao mesmo período de 2019 (2.702 vagas), quando ainda não havia pandemia. 

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O número de demissões foi fundamental para que o saldo atual superasse o de novembro do último ano. Foram 6.833 desligamentos, ante 8.105 na temporada passada. 

“Os dados de novembro mostram uma sensível recuperação na quantidade de empregos em todos os municípios. Esse comportamento era previsto face a flexibilização e consequente retomada de atividades, mas vale ressalvar a boa performance da economia certamente alavancada pelo auxílio emergencial”, disse o economista Jorge Manuel de Souza Ferreira. 

Apesar de os dados animarem, o balanço anual ainda é negativo. Entre janeiro e novembro, a região fechou 892 postos de trabalhos – Santos capitaneou as baixas, com menos 5.487 empregos. 

O economista observa que o mercado voltou a contratar e, apesar de ainda estar negativo, “as perspectivas são promissoras, mesmo com o agravamento dos casos de covid-19, uma vez que estamos agora vivenciando a fase pré-vacinação”. 

Cenário

Ferreira acredita que a economia continuará “ativa e otimista”. Segundo ele, as perdas da bolsa de valores, por exemplo, praticamente já foram recuperadas, como em março. 

"Isso é importante, pois permite que o capital continue gerando novos negócios. Esta continuidade ainda vai depender de algumas medidas do Governo Federal, que deverá cuidar do deficit fiscal. O que na minha opinião deverá ocorrer”.

Setores

O Caged não indica quais os setores que mais geraram oportunidades por município. Entretanto, de maneira geral, revela no último mês que se destacaram as atividades voltadas aos serviços, comércio, construção. Uma queda foi observada na agricultura, pecuária, pesca e aquicultura. 

O economista José Pascoal Vaz tem a mesma percepção sobre os setores com mais geração de emprego: comércio e serviços. É, de acordo com ele, reflexo do maior número de contratações nessa época de final de ano, algo já aguardado. 

Entretanto, ele questiona o contexto destes dados. Por exemplo: quantos desses empregos são intermitentes ou temporários? “Precisamos de mais informações”, diz. 

Cuidado na análise

Vaz avalia que “o Caged está na contramão do desemprego”. Ele explica que, ao mesmo tempo em que o órgão apresenta aumento de novas vagas com carteira assinada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) covid-19, indicou o crescimento no fechamento de empregos. “É um desemprego recorde. Nós nunca tivemos um desemprego dessa ordem”.

“Então, nós temos o desemprego aumentando de um lado (Pnad/IBGE) e o emprego aumentando no Caged, o que é esquisito”. Ele observa o futuro da economia brasileira com incerteza, sobre como vai se desenvolver daqui para frente. “Gostaria que a gente estivesse em uma outra, e que o desemprego geral estivesse diminuindo”. 

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