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Quarta-feira

20 de Novembro de 2019

Passeio de trem ganha força com reativação de trechos entre Santos e São Paulo

Se a linha turística ligando a Capital a Baixada Santista vingar, órgão estadual pode reativar transporte regular de passageiros por meio de trilhos

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) avalia reativar trechos da histórica ferrovia Santos-Jundiaí para o transporte regular de passageiros. A ideia inicial do Governo do Estado é a criação de uma linha turística ligando a Estação da Luz, na Capital, ao Porto de Santos nos finais de semana. Se o projeto vingar, pode ser ampliado.

Debatida há anos, a proposta ganhou força nas últimas semanas, com a realização de testes operacionais sobre os trilhos.

O segundo percurso de ensaio ocorreu nesta quarta-feira (26), com a presença do vice-governador Rodrigo Garcia (DEM), o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, o deputado estadual Kenny Mendes (PROG) e prefeitos da região. O desembarque ocorreu na base da MRS, próximo ao Cemitério da Filosofia, no Saboó.

Sem precisar uma data, o vice-governador afirma que a intenção do governo é que a criação de uma linha turística ocorra nos próximos meses. O primeiro teste ocorreu dia 17. Em nota, a CPTM afirmou que “foi uma viagem técnica para embasamento de estudos”.

Proposta

O projeto prevê a saída do trem da Estação da Luz, no Centro da Capital, com a chegada no Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini (Concais). Não se descarta utilizar a antiga estação do Valongo assim que o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) chegar à região central. O local era o ponto final da antiga Estrada de Ferro Sorocabana.

Está programada uma parada em Paranapiacaba, vila histórica de Santo André, onde será acoplada uma cremalheira (sistema que auxilia o veículo a superar terrenos íngremes) na locomotiva para descer a serra.

“Sugerimos para as operadoras de cruzeiros marítimos durante a temporada (de navios) incluir a passagem de trem nos pacotes”, diz Mendes.

Caso a proposta avance, esta será a quarta opção do expresso turístico paulista, se juntando às linhas Luz Jundiaí, Luz-Mogi das Cruzes e Luz-Paranapiacaba.

As viagens ocorrem apenas nos finais de semana, com tarifas entre R$ 48,00 e R$ 50,00 e embarque realizado na tradicional Estação da Luz.

Verificar demanda

Garcia afirma que a linha turística será o “primeiro passo” para a criação de uma linha regular de passageiros entre Santos e São Paulo. “Várias pesquisas devem ser feitas para avaliar a viabilidade (de transporte regular). Esse é um plano importante e está sendo feito pela Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, CPTM e EMTU”.

Incentivo ao turismo

Para o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), a reativação do ramal ferroviário ajudará no Turismo. Ele defende uma parceria com o Governo do Estado para melhorias no Valongo, que até a década de 1970 era a estação de embarque de trens.

Corredor de ônibus vira alternativa

O Governo do Estado articula a criação de um corredor exclusivo de ônibus ligando as cidades do Litoral Sul ao Veículo Leves sobre Trilhos (VLT). A alternativa defendida por lideranças políticas da região e pelo governador João Doria (PSDB) pode acelerar a integração de mobilidade urbana na região.

A troca dos vagões do VLT por veículos articulados, conhecidos pela sigla BRT (sigla em inglês para veículo leve sobre pneus), nas demais fases de ampliação do sistema de transporte foi comentada ontem pelo vice-governador Rodrigo Garcia (DEM).

“Os investimentos do VLT vão continuar, e vamos estudar com as outras cidades a continuidade, talvez com outro modal, de Praia Grande a Peruíbe”.

Estudos

Ele explica que estudos iniciais indicam que veículos sobre pneus têm custos mais baratos de instalação e operação. “Temos que buscar um modal que atenda a população e que seja factível no ponto de vista econômico. Precisamos estabelecer estudos para que os técnicos mostrem melhor caminho a seguir”.

Alternativa

Defensor do modelo sobre rodas, o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), indica que o BRT atenderá com maior eficiência e em menor tempo o transporte regional em massa. “São mais de 200 mil pessoas transportadas diariamente na Baixada Santista. O VLT leva apenas 27 mil”.

Ele cita que a ampliação do ramal ferroviário até o Litoral Sul terá custo superior de R$ 5 bilhões, sendo a maior parcela paga pelos cofres paulistas. “O BRT é muito mais barato”.

O traçado defendido pelo prefeito utilizará o desativado ramal ferroviário Cajati-Samaritá para a criação de faixas exclusivas de circulação dos ônibus articulados.

Estrutura do VLT

O primeiro trecho do VLT é composto por 11 quilômetros, ligando o Porto de Santos ao Terminal Barreiros, em São Vicente. A segunda fase de ampliação do modal (Conselheiro Nébias – Centro) está em fase de homologação da empresa responsável pelo empreendimento. Já a terceira etapa (Barreiros – Área Continental de São Vicente) deve ter o edital publicado até o final do ano.

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