[[legacy_image_278349]] O historiador Dionísio Almeida descreve como era Santos no início do século passado, quando foi construído o casarão branco. Ele também explica como imóveis do tipo surgiram e que poucos resistiram ao tempo. Também menciona a importância das obras de Benedicto Calixto para a região. O casarão foi construído em 1908, no início do século passado. Como era a cidade de Santos naquela época? A cidade de Santos era basicamente o Centro, que hoje é conhecido como Centro Histórico de Santos. Então, em 1908, fora o Centro de Santos, nós já tínhamos mais ou menos constituído efetivamente o Paquetá, a Vila Nova e algumas moradias esparsas pelos outros espaços urbanos da Cidade. Por que as famílias que tinham poder aquisitivo mais alto resolveram migrar do Centro para a praia? Isso aconteceu em função de um problema relacionado ao adensamento populacional nos espaços urbanos citados. A partir da segunda metade do século 19, houve uma situação bastante difícil, que foi um foco de doenças e epidemias nessa região. De 1850 até o final do século 19, esse espaço não tinha uma urbanização efetiva. Não havia esgoto, saneamento, e os ribeiros que abasteciam a Cidade ainda corriam a céu aberto. Além disso, as pessoas tinham o costume de jogar dejetos das casas ou nos terrenos vazios ou na praia, onde hoje fica o cais, até porque a maioria das casas não possuía banheiro na época. Toda essa situação provocou uma série de epidemias, que, a cada ano, matavam cerca de 10% da população dessa região. Por isso, a Municipalidade, o Governo Provincial e o Governo do Estado começaram um projeto para fazer o saneamento dessa área. Para isso, foi necessário tirar a maioria das pessoas dali, pois havia muita gente habitando um espaço pequeno, o que contribuía para os problemas. A partir dessa retirada, surgem, num primeiro momento, os bairros Vila Nova e Paquetá e se inicia a ocupação no Morro São Bento. As pessoas com uma condição financeira melhor começam a ir para lugares mais distantes. Foi assim que os casarões na orla da praia começaram a surgir. E, de todos esses casarões, o casarão branco onde hoje é a Pinacoteca foi o único que sobreviveu. Por quê? Há vários fatores. O primeiro é que, nesse momento, a orla da praia começa a ter um processo de urbanização mais efetivo, e isso se dá entre as décadas de 1950 e 1970. Não existia, como não existe ainda muito bem acertada na mente das pessoas, uma consciência sobre a importância de se conservar o patrimônio histórico-cultural da Cidade. Com a inauguração da Via Anchieta, em 1947, aumenta o fluxo de pessoas que vêm para a Cidade. As mais abastadas de São Paulo começam a comprar os terrenos da orla e, na medida em que vão surgindo as edificações maiores, esses casarões vão desaparecendo, por falta de consciência sobre a importância deles para a história da Cidade num futuro que viria. Temos dois ou três casarões que acabaram se preservando. Um deles é o casarão branco da Pinacoteca. Por falar na Pinacoteca, ela reúne obras de Benedicto Calixto, que foi um dos grandes artistas do século 20. Ele nasceu em Itanhaém, mas teve sua passagem por Santos. Qual a importância dele para a região? Para quem estuda e pesquisa a história das cidades da região, toda obra dele relacionada ao Litoral é uma fonte primária. A partir das obras que ele deixou, temos condições de fazer um painel histórico de Santos, por exemplo.