[[legacy_image_339397]] A assessora de longevidade da Secretaria de Saúde de Santos, Ana Ciarlini, falou sobre economia na longevidade, cuidados em casa e como Santos se tornou uma cidade ideal para os 50+. Vinte e cinco por cento da população de Santos tem mais de 60 anos. No ano passado, em julho, a Prefeitura lançou o Programa Municipal Santos Viva+50 Saúde para a Longevidade. O que ele representa?Está funcionando a todo vapor. Tem quatro eixos importantes: Educação e Cultura; Saúde e Bem-Estar; Inovação e Longevidade; e Economia. Quando a gente fala em Saúde e Bem-Estar, não são apenas atividades físicas. A gente fala de (atividades) culturais, pessoas que querem trabalhar a mente. Quando a gente fala em Cultura, é sobre educar, criar uma empatia do mais jovem com relação à pessoa idosa, que vem através da Rede Educativa para a Longevidade. Um programa bacana, que atua dentro das escolas públicas, e chegou às universidades, fazendo futuros formandos pensarem sobre essa longevidade, o que é envelhecer com saúde. E o eixo de Finanças, que envolve economia solidária, economia “prateada”, com foco nos 50+, no que consomem ou virão a consumir no futuro. Porque não é só ter mais anos de vida, mas como a gente escolhe envelhecer. A gente traz toda uma nova leitura de envelhecer com otimismo, mas também com muita realidade. Tem outro viés que pensa no residencial dos idosos: o das casas inteligentes. O que significa isso?Além de ser um local preparado para o envelhecer, a gente tem que pensar nas nossas casas também, quando a gente pode ter esse sênior morando com a gente. São coisas simples: você tira o tapete parta aquele idoso não sofrer queda; põe alavancas para o idoso poder se locomover... A gente está falando num outro perfil de idoso, iniciando um declínio psicomotor. Na nossa realidade de hoje, o idoso ativo, protagonista, cuida do outro idoso, de 80, 90 anos, que está dentro de casa. Esse local em que ele reside deve estar preparado, todo moldado. Colocar agentes facilitadores, como o Tele Help, uma pulseira que chama uma central. É a tecnologia vindo. Ninguém pode achar que ela vai substituir o vínculo familiar. Hoje, o problema desse idoso é da família em primeiro lugar. Depois, vem Estatuto do Idoso junto, Estado... mas, mesmo quando você opta para que um iodo vá para uma ILPI (instituição de longa permanência), onde, às vezes, se faz necessário. Tem vários perfis; famílias que trabalham o dia todo e você, quando está em declínio, precisa de uma equipe full time. Mas não é colocar lá e achar que foi uma solução: há o compromisso de manter o vínculo com sua família, visitando, se fazendo presente. Como a criança: quando ela vai para a escola, os professores não estão lá para educar os filhos dos outros, mas para ensinar as matérias. Os valores vêm da família e o professor dá continuidade. Sobre economia: a gente percebe que há um público grande, com mais de 60 anos, ainda economicamente ativo, que é empreendedor. Por isso, esse viés é para que ele chegue à longevidade de uma forma saudável economicamente?Quando você fala dos 50+ dentro da família, 80% dos que bancam, que “passam o Pix”, são os 50+. A importância deles na parte econômica é gigante. Nossa leitura deve ser o que: cada vez mais promoção de saúde, para que esse idoso tome conta da sua vida e faça as escolhas que tem que fazer. Volte a cursar a universidade, a empreender, a viajar... Se a gente fizer boas escolhas, será maior parte que iremos viver. Os fatores determinantes: 25% vêm de herança genética; enquanto 75% são escolhas. Se a pessoa pensar positivo diante do envelhecer, viverá 7 anos a mais do que quem pensa negativo. Santos é a cidade dos idosos?Sim. São mais de 106 mil idosos, ultrapassando 25% da população, acima da média do País, que é de 16%. Somos uma cidade longeva: uma projeção para 2030 afirma que teremos mais pessoas 60+ do que 15-. Isso acontece em Santos desde 2007. E o que levou Santos a essa condição?É uma cidade litorânea, plana, com boa acessibilidade, que respira esporte e cultura. Os idosos de hoje são diferentes dos de antigamente?Anteriormente, uma pessoa era considerada idosa com 43 anos. O perfil dessa nova geração é de uma pessoa ativa e que toma conta de sua família.Na segunda parte da conversa, Lucas Zanon Pina, Coordenador das unidades do Conviver em Praia Grande, falou sobre a importância da atividade física para os idosos, os exercícios indicados para cada perfil e como funciona o projeto. [[legacy_image_339398]] A atividade física é importante para todas as faixas etárias, mas, em especial para a chamada Terceira Idade, não é mesmo?Quando a gente olha para o envelhecimento, alguns autores colocam como um fenômeno. Por exemplo: estou ficando careca e com a barba branca. São minhas células envelhecendo. Mas, quando a gente olha um idoso com diabetes ou hipertensão, é comum, mas não é natural. Precisamos combater isso, com a ajuda de profissionais de Educação Física. Por que é importante entender o processo do envelhecimento? Quando a gente olha para o mundo, o estudo sobre envelhecimento é muito recente. Começou na década de 1950 a fomentar na França. Na década de 1960, na Europa e nos Estados Unidos, passaram a formatar leis para amparar esse idoso que iria se aposentar, com uma preocupação sobre como ele iria gastar esse dinheiro. Então, as atividades físicas vieram para contribuir. Aqui no Brasil, (essa preocupação) chegou nos anos 1970, por meio das unidades do Sesc, Em Praia Grande, chegou em 1993. É algo muito anterior à adoção de políticas públicas. Na região, fomos pioneiros. Qual a atividade ideal para a chamada Terceira Idade viver melhor? Todas. O movimento em si. Quando a gente olha os cadernos, as publicações e artigos, todas dizem que qualquer movimento é válido. Como profissional de Educação Física, recomendo: explorem a praça. Em Praia Grande, temos uma malha cicloviária enorme, praças, fora os equipamentos. Para quem é sedentário, começar uma simples caminhada já é um avanço. Claro que a musculação, principalmente nessa idade, é importante. Assim, o idoso vai sofrer menos quedas. Mas, para quem é sedentário, sugiro uma leve caminhada. Como é possível ter uma vida mais longa? Pela combinação de muitas coisas. Primeiramente, a pessoa precisa ter boa alimentação, atividades físicas e boas noites de sono. Isso traz um envelhecer, a palavra longevidade, com autonomia e independência. Porque a questão não é envelhecer. Mas a questão é sobre quem vai conquistar sua autonomia e independência. E menos estresse. Pode detalhar mais o programa Conviver? Que atividades oferece? Lá em 1993, o gestor visitou a casa de uma senhora que estava abandonada pela família. Isso tocou ele, que conversou com sua esposa e, ambos, formataram uma salinha de encontro, se questionando sobre como acolher aqueles idosos recém-aposentados para tirar da depressão. E dessa salinha foi crescendo, até chegar a oito unidades. Ao todo, são mais 200 atividades. Só de voluntários, tenho 87, que trazem conhecimento, com diversas atividades que somam e vão fortalecendo vínculos e fazendo surgir novas amizades. Como é possível participar desse programa? Precisa, primeiramente, de muita alegria. Procurar nossas unidades – temos datas específicas, liberando essas vagas. Os diretores que fazem esse acolhimento, esse cuidado, mostrando quais atividades, porque temos “territórios” diferentes. É de graça: portanto, leve sua boa vontade e o resto a gente coloca em ordem. nta da sua família.