[[legacy_image_344552]] Juliana Stivaletti esclarece dúvidas sobre as fases da menopausa, fertilidade e os riscos e benefícios da terapia de reposição hormonal. Qual a diferença de climatério para menopausa? Menopausa vai ser a última menstruação da vida da mulher. O período que compreende dos 40 aos 65 anos, que engloba a menopausa, é o climatério. É quando começam a aparecer alterações hormonais e sintomas. A gente passa, depois da menopausa, um período de pós-menopausa. A menopausa de fato acontece dos 48 aos 52 anos. O que acontece com os hormônios da mulher a partir dessa idade, quando acontecem as transformações? Vai acontecendo uma queda hormonal na produção dos hormônios. O primeiro sintoma é a irregularidade menstrual. A menstruação começa a ficar bagunçada, o ciclo mais curto. Muitas mulheres têm alteração de humor, irritabilidade, aquela TPM intensa que não melhora. Depois, vão aparecendo outros, conforme vai avançando a idade e vai chegando, de fato, perto da menopausa. Há a possibilidade de depressão? A depressão é um dos sintomas. Ganho de peso e o inchaço também são sintomas? A obesidade vem junto com essa fase porque você tem uma transformação no corpo. Você passa a ganhar mais gordura do que músculo. Isso tem a ver com a queda da produção hormonal. Quando a mulher deve fazer exames específicos, como mamografia, ultrassonografia pélvica e densitometria óssea? A partir dessa data de 40 anos, mais ou menos, a gente tem um outro olhar para a mulher nessa fase do climatério. O aumento de riscos de doenças acontece por falta de produção hormonal. Qual a periodicidade desses exames? A gente fazer esses exames uma vez ao ano já está de bom tamanho. A densitometria óssea, normalmente, ela é a cada dois anos. Terapia hormonal, reposição: quando devem ser feitas e em que situação? A gente tem que pensar que a reposição hormonal vai devolver bem-estar à mulher. Ela vai melhorar muito dos sintomas. Mas ela tem que ser individualizada, têm que ser avaliados fatores de risco. Qualquer mulher pode fazer reposição hormonal? Não. Para as mulheres que, por exemplo, tiveram câncer de mama, há a principal contraindicação. Então não é mito essa possibilidade de uma reposição hormonal provocar o câncer? Ou depende da pessoa? Hoje, a gente sabe que o câncer de mama é multifatorial. Tem uns estudos bem recentes, evidências científicas bem recentes, em que a obesidade entrou como um fator quase que principal no aparecimento do câncer de mama. O que a gente tem que pensar é que os nossos hábitos de vida influenciam no desenvolvimento das doenças. Então, depende, porque, se ela tem múltiplos fatores de risco associados, o hormônio é mais um fator de risco. Tem cânceres de mama que são familiares, que não são hormoniodependentes, por exemplo. Tem que ser avaliado individualmente. A gente precisa individualizar cada caso e avaliar essa pessoa, essa mulher, naquele momento de vida, os fatores de risco, os antecedentes familiares e expor isso para ela. É muito importante a gente conversar no consultório e sempre colocar riscos e benefícios, porque a gente não tem garantias. A gente tem uma terapia de reposição hormonal que é mais segura do que a gente tinha antigamente. Mesmo assim, ninguém tem garantias. Ela tem que estar como protagonista disso. Ela tem que saber o que ela está fazendo. Todo tratamento que a gente for fazer, a gente vai colocar para o paciente os riscos e os benefícios. A terapia de reposição hormonal é a mesma coisa. [[legacy_image_344553]] Veridiana Salutti explica as causas da infertilidade, e como tratá-la. Muita gente que têm o sonho de ser mãe e de ser pai não tem condições financeiras para o tratamento adequado contra a infertilidade. Como ter acesso a ele? A gente tem no Brasil 14 centros de reprodução humana pelo SUS. Tem possibilidade aqui no Estado de São Paulo, tem o ABC, tem o Pérola Byington. Pacientes que não têm como arcar com esse custo podem procurar esse serviço. A infertilidade não é só uma questão orgânica, ela começa a ser uma questão física. Aquela mulher que está infértil tem dor, sofre. Quais são as causas da infertilidade? Na mulher, são ovulatórias, as disfunções das trompas, a endometriose, trombofilia, disfunções endócrinas e anatômicas. No homem, alterações do espermatozoide, que podem ser genéticas, anatômicas, em aqueles homens que têm varicocele, e o uso de anabolizantes. Quais são os primeiros sinais de infertilidade? Aquele casal que já tem 35 anos, em que a mulher já está há um ano tentando (engravidar) sem qualquer método contraceptivo, tem que procurar assistência especializada. Ou aquela mulher acima de 35 anos que já está tentando há seis meses deve procurar o especialista para um diagnóstico. Há algum tratamento para a infertilidade masculina e a feminina? Para quem usa anabolizante, parar. Para a mulher, a gente precisa diagnosticar a causa específica da infertilidade e ir buscar esse tratamento, que pode ser a inseminação intrauterina ou a fertilização in vitro. Qual o melhor período para engravidar? Antes dos 35 anos. A partir disso, começa a haver declínio na fertilidade e aumento dos riscos das malformações (do feto). Para quem pretende adiar o sonho de ser mãe e gostaria de congelar os óvulos, qual é a melhor idade? A gente fala em relação da preservação da fertilidade para essa mulher que adia, para aquela mulher que vai fazer radioterapia. Isso é muito importante, alertar essas mulheres, que vão para tratamento oncológico, buscar a preservação da fertilidade, e que essa preservação seja antes dos 35 anos. É mito ou não acreditar que os anticoncepcionais acabam atrapalhando, depois que você deixa de tomar as pílulas, o processo de engravidar? Isso é mito. A partir do momento que para o bloqueio hipofisário, que é o que comanda o bloqueio do ovário, a ovulação volta normalmente. Tem algumas mulheres que fazem a amenorreia pós-pílula, que é a falta da menstruação pós-pílula, mas isso é um caso à parte. A maioria retorna a fertilidade normalmente. No processo de climatério e de menopausa, há o risco de uma mulher engravidar? Estatisticamente, uma mulher acima de 45 anos tem chance de 1% de engravidar com óvulos próprios.