Segmento também é uma oportunidade para se conquistar um primeiro emprego, pois são diversas as oportunidades (Alexsander Ferraz/AT) O cheiro irresistível de pão que sai do forno se mistura ao doce perfume dos bolos e doces, criando uma atmosfera única: não há nada como a sensação de entrar em uma padaria para um café da manhã ou da tarde. A boa notícia é que o setor segue firme e atraindo clientela. Na Baixada Santista e no Vale do Ribeira, os índices de faturamento já ultrapassaram o período pré-pandemia (antes de 2020). De acordo com o Sindicato das Padarias da Baixada Santista e do Vale do Ribeira (Sinaspan), estão em funcionamento 1.200 estabelecimentos de panificação, que geram mais de 15 mil empregos diretos na região. Em período de alta temporada, as contratações temporárias aumentam em até 20% dos funcionários, com 3 mil vagas. O diretor do Sinaspan, o empresário Antônio Pires, destacou que as atividades de uma padaria são fundamentais para os moradores do entorno do comércio e têm uma relação próxima com a comunidade. “Costumo dizer que a padaria é a extensão da nossa casa e é o segundo lugar mais democrático depois das praias”, diz. “O setor de panificação já se recuperou das perdas da pandemia em termos de faturamento. Estamos em patamares acima dos registrados antes da pandemia”, relata. Na Baixada Santista, são cerca de 1.200 estabelecimentos (Alexsander Ferraz/AT) Força do setor Conforme Pires, 30% das embalagens que são direcionadas à Baixada Santista, 25% dos frios embutidos (presunto, queijo, laticínios, entre outros) e 25% dos produtos de tabaco legais passam por uma padaria. Números que expõem a força do setor da panificação na região. O segmento também mantém uma força de contratação e empregabilidade na Baixada Santista. Pires destacou, por exemplo, que há uma padaria com mais de 200 funcionários em Santos, sendo maior em número de colaboradores que muitas empresas brasileiras. O setor também é uma oportunidade para se conquistar um primeiro emprego, pois são diversas as oportunidades e vagas necessárias para entrar no ramo e se desenvolver nele. “A característica da padaria, por essa proximidade com o seu cliente, é ser o primeiro emprego de muita gente, principalmente nas funções menos qualificadas, como balconista ou copeiro”. Com o crescimento do setor na região, Pires reforçou que são requisitados cada vez mais funcionários. Balconista, atendente, copa, padeiro, ajudante de padeiro e confeiteiro são as funções mais procuradas por empresários. Há cursos para qualificação destas áreas. Neste primeiro semestre do ano, o Sinaspan inaugura um centro técnico para cursos e também mantém uma parceria com o Senai (que futuramente se mudará para a sede do Sindicato), que também oferece cursos de qualificação para diversas áreas. Interessados devem entrar em contato com o Senai ou o Sinaspan (telefone 3231-1503). Empresários falam de otimismo e confiança Sob o comando do chef Daniel Stucchi, o Dosette Café, na Ponta da Praia, em Santos entra em seu segundo ano de atividade. Segundo Daniel, os números estão subindo cada vez mais e ele enxerga com bastante otimismo o cenário projetado. “Graças a Deus começamos muito bem. Tivemos um fim de 2024 muito bom e um começo de 2025 melhor ainda. Foi tudo muito bom, comercialmente falando. A aceitação do negócio, o movimento e a procura (tanto da clientela comum, quanto para evento)”, relembra. Segundo ele, sempre há vagas abertas no estabelecimento, que busca sempre pessoas bem intencionadas e dispostas. “Na comunidade, temos um papel de ser agregador. É a gente conseguir passar para eles o que a gente realmente quer. Um bom ambiente, com uma boa atmosfera e uma boa comida. Um lugar onde as pessoas podem relaxar”. Enquanto isso, para o empresário Joaquim Jorge Freire Sampaio, da Padaria Pio XII, o movimento da alta temporada é menor. Localizado no Saboó, em Santos, o estabelecimento tem baixa procura na temporada, pois os moradores do entorno costumam viajar no fim de ano e verão. Sampaio contou que aproveita o período para dar férias aos funcionários e se preparar para a normalização do movimento. “Como a minha empresa fica no Saboó, ela não pega o público de fora. Para mim, diminui o movimento. No mês de março, (o movimento) costuma normalizar”, comenta. O empresário descreveu a padaria como um dos pilares para a manutenção da comunidade. Não apenas pela frequência, que é mais alta que dos que outros do setor alimentício, mas também pela relação que a vizinhança cria dentro do local. “Uma comunidade sem uma padaria quase não funciona. Ela é um ponto que as pessoas vão dia sim e dia não, no mínimo. Enquanto no mercado as pessoas frequentam em média três a quatro vezes por mês, em uma padaria são 15 dias no mês. É um ponto de encontro e é onde as pessoas ainda se chamam pelo nome. Ela tem uma importância muito grande nas comunidades”.