Ônibus intermunicipais, de linhas que ligam a Área Continental de São Vicente à Ponta da Praia, em Santos, são alvos de críticas (Vanessa Rodrigues/ AT/ Arquivo) Andar nos ônibus intermunicipais de duas linhas entre São Vicente e Santos, no litoral de São Paulo, virou teste de paciência - para não dizer de resistência - para os usuários na Baixada Santista. Em tempos de calor intenso, então, nem se fala. Um morador de São Vicente reclama que a retirada de veículos em linhas que atendem a Área Continental e vão até Santos representa um grande problema e aponta a falta de ar-condicionado no transporte coletivo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Estou morando nesta cidade há três anos (vim de Santos) e o transporte público, em especial, tornou-se um problema sério, que já considero uma questão de saúde pública e que exige intervenção das autoridades. A falta de ônibus, a retirada de diversos veículos com ar-condicionado e a substituição por coletivos antigos e menores só agravaram a situação”, explica o munícipe, que não quis ser identificado. Segundo ele, as linhas 942 (Humaitá-Ponta da Praia) e 943 (Parque das Bandeiras/Gleba ll-Ponta da Praia) são dois exemplos do que reclama. “O trajeto é longo, os ônibus circulam superlotados, sem ar-condicionado, e com intervalos demorados. Em dezembro, com o aumento de trabalhadores temporários, o descaso ficou ainda mais evidente — faltavam ônibus até para ir trabalhar, e após as 21h praticamente não havia opção de retorno”, aponta. “Todas as linhas da Área Continental de São Vicente são tristes, mas as linhas que mais têm superlotação são essas”, acrescenta o morador. Outro lado Em nota, a BR Mobilidade, empresa responsável pelos ônibus entre Santos e São Vicente, informa que “as linhas intermunicipais 942 e 943, que ligam os municípios de São Vicente e Santos, operam atualmente com 100% da frota programada equipada com sistema de ar-condicionado" e, “para garantir a regularidade das viagens e evitar o descumprimento de horários, veículos da frota reserva podem ser acionados pontualmente em casos de manutenção preventiva ou corretiva dos carros titulares”. A empresa argumenta ainda que, “nessas situações excepcionais, a substituição temporária visa assegurar que o passageiro não seja prejudicado pela falta do serviço”. Ainda de acordo com a BR Mobilidade, “entre 2024 e 2025, foram adquiridos 120 novos ônibus zero-quilômetro, todos com ar-condicionado. Esse investimento faz parte do plano de renovação contínua da frota e melhoria da experiência do cliente”. Por fim, a empresa a reforça a disponibilidade do aplicativo Quanto Tempo Falta, ferramenta oficial para consulta de previsões de chegada e itinerários em tempo real, garantindo maior comodidade e planejamento nas viagens. “Além disso, contamos com uma equipe que realiza o acompanhamento diário da oferta e demanda das linhas para ajustes dinâmicos sempre que necessário”, acrescenta a BR Mobilidade. Mobilização política Ter ônibus com ar-condicionado na frota do transporte coletivo da Baixada Santista é alvo de mobilização política nos últimos anos. Em setembro de 2024, os primeiros ônibus coletivos intermunicipais da região com ar-condicionado começaram a circular. A deputada estadual Solange Freitas (União) tratou da questão diretamente com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), sob o mote “fim da sauna móvel”. Em 3 de fevereiro de 2025, a parlamentar protocolou na Assembleia Legislativa um projeto de lei para que, até 2028, os veículos de transporte coletivo interurbano em todo o Estado tenham climatização. A exemplo do que tem ocorrido na região, onde 100 ônibus das cinco linhas mais utilizadas passaram a ter o equipamento em 2025, a deputada propõe dar prioridade às linhas com percurso e demanda maiores para a instalação de aparelhos.