Ônibus elétricos ainda são raridade na Baixada Santista. Na região, apenas Santos e Bertioga contam com esse tipo de veículo em circulação, e mesmo assim em uma quantidade reduzida. Conforme apurado por A Tribuna junto às prefeituras, os coletivos elétricos representam cerca de 1% da frota total de transporte público nos municípios que disponibilizaram dados. Ao todo, são cinco veículos desse tipo em operação, diante de mais de 400 ônibus convencionais. Entre as cidades que já adotaram a tecnologia, Bertioga apresenta a maior proporção. O Município conta com três ônibus elétricos em circulação, o equivalente a 9% da frota operacional, que tem 33 veículos. Segundo a Administração Municipal, há planejamento para ampliação gradual do número de coletivos, condicionado à viabilidade técnica, custos e à infraestrutura de recarga. Bertioga conta com três ônibus elétricos em circulação, o equivalente a 9% da frota operacional da cidade (Joanderson Piropo/Prefeitura de Bertioga) Em Santos, dois ônibus elétricos operam em linhas regulares durante a semana e também aos fins de semana, em itinerários diferentes. Apesar da presença dos veículos, a maior parte da frota ainda é composta por ônibus movidos a biodiesel. Em nota, a Prefeitura afirma que a adoção de novos modelos depende de estudos sobre custos, eficiência energética e impacto na tarifa. Nas demais cidades da região, não há veículos elétricos em operação. Municípios como Praia Grande, Cubatão e Guarujá informaram que estudam ou já testaram alternativas com menor impacto ambiental, mas ainda sem adoção definitiva da tecnologia. Praia Grande Praia Grande, por exemplo, não possui ônibus elétricos na frota atual, composta por 89 veículos, mas projeta a substituição total por modelos não poluentes até 2029. Segundo o secretário de Transportes, Leandro Avelino, o município vem estruturando a implantação e buscando alternativas de financiamento. “Desde o ano passado, a gente já vinha cogitando essa possibilidade de fazer um financiamento para a aquisição de veículos elétricos”, afirmou. Conforme Avelino, durante esses estudos, o Município tomou conhecimento de uma linha de crédito que seria disponibilizada a partir deste ano por uma cooperação técnica entre o Banco Mundial com a Caixa Econômica Federal. “A partir do momento que a gente começa uma conversa para participar de um financiamento do Banco Mundial, o leque de fabricantes aumenta e isso melhora o acesso à tecnologia, reduzindo também o preço”. De acordo com o secretário, um dos principais entraves está no planejamento da operação. “São diversas variáveis: autonomia dos ônibus, tamanho do pacote de baterias, que tipo de carregador a gente vai instalar. Tudo isso precisa ser estruturado antes”. Praia Grande também passou a integrar um projeto piloto com a Caixa Econômica Federal para viabilizar essa etapa inicial, sendo o único município do Brasil contemplado por tal iniciativa. Municípios Outras cidades, como Itanhaém, Peruíbe, Mongaguá e São Vicente, informaram que não possuem ônibus elétricos e, até o momento, não têm planejamento em andamento para a inclusão desse tipo de veículo no sistema municipal. Em Guarujá, a utilização de ônibus elétricos já foi testada de forma experimental entre 2023 e 2025, segundo a City Transportes, concessionária responsável pelo transporte coletivo na cidade. A continuidade da tecnologia ainda depende de definições contratuais e do planejamento do sistema. Atualmente, a frota utiliza veículos com padrão de emissão mais recente, considerados menos poluentes em comparação aos modelos anteriores.