Obra em Santos: oferta de financiamento bancário e crescimento moderado da economia estimulam novos empreendimentos, sustentando geração de centenas de postos de trabalho pelas construtoras na Baixada Santista (Alexsander Ferraz/AT) O mercado de trabalho da construção civil deve se manter aquecido neste ano na Baixada Santista, puxado principalmente por obras de edifícios, segundo representantes do setor. A expectativa reflete projeções para 2026 – a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) prevê uma alta de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do segmento no País. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O sócio-diretor da construtora e incorporadora Engeplus, Roberto Luiz Barroso Filho, estima que a empresa tenha saldo positivo de cerca de 100 funcionários até o fim do ano, considerando contratações e desligamentos. “O que tem impulsionado o mercado na região é, com certeza, a construção de edifícios residenciais, mas também comerciais e corporativos”, afirma. Segundo ele, estão previstos o início de três novos prédios até o fim do ano, além da entrega de outros dois, um deles já concluído. Hoje com aproximadamente 400 funcionários, a empresa pode chegar a um quadro entre 450 e 500 trabalhadores até dezembro. “Provavelmente ficaremos nessa faixa”. O diretor da Besmon Empreendimentos Imobiliários e presidente do Conselho da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Ricardo Beschizza, compartilha avaliação semelhante. “Sem dúvida, o que impulsiona são os edifícios residenciais”, afirma. Segundo Beschizza, o ritmo de obras se manteve estável em relação ao ano passado. “Entregamos um empreendimento no ano passado e devemos iniciar outro no segundo semestre”. Para esse novo projeto, a estimativa é de cerca de 20 contratações, conforme o avanço da obra. Mais contratações Outra empresa regional que prevê ampliar o quadro em 2026 é a Construmoura. De acordo com o diretor de Engenharia da construtora, Marcelo Carvalho, o início do ano tem sido positivo, com retomada mais consistente de projetos em comparação com o mesmo período de 2025. “A expectativa é contratar de 10% a 15% a mais de profissionais, com foco em funções operacionais e técnicas. Isso pode representar entre 60 e 90 novas contratações, dependendo de financiamentos e licenças ambientais”, afirma Carvalho. Em alta Dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon) mostram que, no ano passado, a Regional de Santos da entidade — que inclui a Baixada Santista e o Vale do Ribeira — gerou 1.269 empregos com carteira, alta de 4,7% em relação ao ano anterior. Em 2024, o avanço havia sido de 3,2% na comparação com 2023, mantendo trajetória de expansão no número de postos de trabalho. A maior concentração de empregos na região está na construção de edificações, com 11.541 vagas formais. Em seguida aparecem os serviços especializados para a construção, com 10.692, e as obras de infraestrutura, 6.288. Salários sobem com falta de mão de obra Apesar do saldo positivo de geração de vagas e da perspectiva de novas contratações, o setor ainda enfrenta dificuldade para encontrar trabalhadores qualificados, segundo profissionais do setor. Conforme o diretor de Engenharia da Construmoura, Marcelo Carvalho, o desafio já era sentido em 2025 e continua em 2026. “Enfrentamos dificuldade para contratar, especialmente profissionais com experiência. A escassez permanece, embora com leve melhora”. Segundo ele, parte da mão de obra migrou para outras regiões ou para setores com remuneração mais elevada, reduzindo o número de profissionais disponíveis na Baixada Santista. A consequência foi a necessidade de rever estratégias de retenção. “Muitas empresas passaram a oferecer salários mais competitivos, bônus de produtividade, vale-alimentação acima do padrão e contratos mais flexíveis”, afirma. Em casos pontuais, a falta de profissionais especializados chegou a impactar cronogramas, principalmente nas fases de acabamento e em serviços técnicos específicos. Segundo o sócio-diretor da Engeplus, Roberto Luiz Barroso Filho, a disputa por trabalhadores levou a reajustes salariais acima da inflação. “No ano passado tivemos que aumentar os salários entre 25% e 30%, acima do definido em convenção. Foi a forma de manter a equipe”. Para o empresário, a escassez está ligada ao envelhecimento da força de trabalho e à mudança no perfil dos mais jovens. “A construção tem hoje uma mão de obra mais envelhecida. Muitos jovens optam por atividades como transporte ou entregas por aplicativo, que oferecem mais flexibilidade”, diz. Apesar disso, ele ressalta que a remuneração no setor é competitiva. “Há pedreiros que podem ganhar mais de R\$ 10 mil por mês e carpinteiros entre R\$ 7 mil e R\$ 8 mil, dependendo da produtividade”. Entrada de jovens no setor desacelera Para o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), a escassez de mão de obra tem caráter estrutural. A média de idade do trabalhador do setor no Estado é de 41 anos. Profissionais experientes estão se aposentando, enquanto a entrada de jovens ocorre em ritmo menor. O Sinduscon também aponta que parte da mão de obra migra para atividades com renda mais imediata, embora sem benefícios como FGTS, férias remuneradas e 13º salário. Além disso, ainda pesa a imagem da construção como atividade exclusivamente pesada e pouco tecnológica, percepção que, segundo o sindicato, não condiz com o atual processo de modernização do setor. Na região, a maior dificuldade está na contratação de ajudantes de obras, embora a escassez atinja praticamente todas as funções. Para enfrentar o problema, o setor ampliou investimentos em capacita-ção em parceria com o Senai, além de preparar a implementação de uma trilha profissional que permitirá ao trabalhador visualizar caminhos de progressão na carreira, do ingresso no canteiro até cargos como mestre de obras. Também há iniciativas voltadas à ampliação da participação de mulheres e migrantes.