[[legacy_image_345006]] Em 26 de março de 1894, começava em Santos uma das mais duradouras trajetórias do jornalismo brasileiro. Naquela segunda-feira, circulava a primeira edição de A Tribuna, ainda como Tribuna do Povo, de propriedade e direção de Olympio Lima. Um jornal de quatro páginas, quase sem gravuras, e com um destino traçado: informar a sociedade. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! No começo daquele ano, Deocleciano Augusto Fernandes havia iniciado um jornal semanal chamado A Tribuninha. Ao mesmo tempo, Lima, natural do Maranhão, chegava à Cidade com a intenção de trabalhar em São Paulo. Porém, ele acabou ficando em Santos, comprou A Tribuninha e mudou o nome do periódico. A Tribuna do Povo prezava pela independência, sempre com postura combativa, o que fez a Redação se tornar alvo de seguidos ataques, com empastelamentos (depredações, no jargão jornalístico). Por vezes, o próprio Olympio Lima foi preso. Em 8 de agosto de 1895, o caso mais grave: ele levou um tiro do major José Emílio Ribeiro Campos Jr., que tentou matar o jornalista perto do Largo Marquês de Monte Alegre, em frente à estação ferroviária. Ainda em 1895, em 5 de dezembro, o jornal passou a circular duas vezes por semana. No mesmo mês, outra depredação da sede obrigou Lima se endividar para manter as atividades. Em março de 1896, a Tribuna do Povo virou um jornal diário e ganhou mais páginas. Em abril, mudou-se para a Rua do Rosário (atual Rua João Pessoa), 99. Todavia, houve um novo empastelamento, e as dívidas se tornaram maiores. Em 19 de julho de 1899, Lima passou o periódico a outro empresário, o coronel Manuel Monjardim. Quatro meses depois, foi decretada falência. Em leilão judicial, o jornal foi arrematado por Manuel Teixeira de Souza. Lima foi à Capital, mas retornou a Santos naquele mesmo ano, em 19 de dezembro, e fundou A Tribuna, com a continuidade de anos de publicação e numeração da Tribuna do Povo. Em 4 de outubro de 1907, Olympio Lima morreu no Rio de Janeiro. Ele tinha 45 anos, havia viajado para o Norte do País e se sentiu mal. Quando chegou ao Rio, teve de ser internado e não resistiu. Após dois dias de velório, seu corpo foi sepultado no Cemitério do Paquetá. Sociedade Quando a Tribuna do Povo nasceu, em 1894, Santos e o Brasil tinham passado por sérias transformações. Em âmbito nacional, a princesa Isabel, filha de dom Pedro II, havia decretado em 1888 a Lei Áurea, libertando os escravizados. No ano seguinte, o Brasil passou de Império a República. Por aqui, Santos passava a ter o Porto Organizado, que já era uma realidade desde 1892, com a construção dos primeiros 260 metros do cais de pedra, como explicou o jornalista e pesquisador Sergio Willians. “A sincronia entre a inauguração do Porto de Santos e o nascimento de A Tribuna propiciou a evolução tanto destas instituições quanto da própria cidade de Santos. Esse momento significou uma grande transformação à Cidade, impulsionada pelo boom da exportação do café.” Por outro lado, Santos buscava se desvencilhar da imagem negativa associada às doenças e epidemias, que fizeram com que, já no início do século 20, fosse colocado em prática um Plano Diretor que previa a construção dos famosos canais e melhorias em questões como abastecimento de água e coleta de lixo. “A Tribuna desempenhou um papel significativo na divulgação e no apoio a essas medidas de saúde pública e melhorias na infraestrutura sanitária, incentivando os esforços do Estado para elevar a qualidade de vida dos santistas”, observa Willians.