[[legacy_image_59971]] O número de eleitores jovens, entre 16 e 20 anos, caiu 32,9% em cinco anos na Baixada Santista. Nas eleições municipais de 2016, eram 75.246 com condições de votar, total que diminuiu para 50.457 este ano, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizados em maio. Por outro lado, a quantidade de eleitores idosos subiu 11,7% no mesmo período, levando em consideração as nove cidades. Em 2016, eram 281.853 pessoas acima de 60 anos, número que cresceu para 313.342 este ano, de acordo com o TSE. Outros números ficaram estáveis, como o total de eleitores (-0,9%), e as estratificações por mulheres (+0,2%) e por homens (-2,6%). Confira a estratificação por cidades Análise Para cientista política Clara Versiani, a elevação de eleitores idosos e a diminuição de jovens refletem uma tendência do País, de envelhecimento da população e queda nas taxas de natalidade. “A variável idade é importante quando a gente vai fazer análise no comportamento do eleitorado. Tem influência. Eleitores de mais idade têm tendência de um voto mais conservador. Isso acontece porque a medida em que as pessoas tem um projeto de vida já definido, não querem muitas mudanças, querem preservar esse status”. Ela explica que essa característica já se mostra há alguns anos na região, com eleições de candidatos do PSDB na maioria das cidades, além de apoio a nomes próximos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Para as próximas eleições, há de se considerar o desgaste do governo Bolsonaro, mas também existe o antipetismo (na região). Considerando esse perfil de eleitorado, podemos esperar um número maior de votos brancos, nulos e abstenções”. O cientista político Marcelo Di Giuseppe diz que os idosos são mais conservadores, têm maior preocupação com a qualidade de vida deles e das outras faixas etárias e, por isso, buscam por um candidato que tenha maior ligação com essas características. “Notamos que a aprovação do Governo Federal tem correlação com o aumento da idade do eleitor. Quanto mais velho, mais aprova o governo Bolsonaro, que é um político conservador. Por outro lado, percebemos que a faixa etária acima dos 60 anos tem hoje mais chances de se abster nas eleições de 2022”. O cientista político Rafael Moreira Dardaque Mucinhato também acha que o fator idade tem interferência eleitoral. “O Governo Bolsonaro tem maior rejeição entre a população mais jovem. Estamos numa região que deu uma votação massiva para ele e outras candidaturas do campo conservador, de direita e extrema direita. É de se esperar que o aumento da população idosa de novo se reflita num voto mais de direita”. Praia Grande ganha 12,2% mais votantes Enquanto a maioria das cidades da região perdeu eleitores, Praia Grande teve um aumento de 12,2% de pessoas com condição de voto entre 2016 e 2021. São mais 24.602 eleitores, passando de 201.571 para 226.173. A Cidade também puxou o crescimento regional de idosos, com mais 10.524 pessoas com mais de 60 anos aptas a votar, segunda maior alta entre as cidades, de 23,6%. Bertioga foi a primeira em porcentagem, 24,9%, mas em números absolutos foram adicionados 1.618 eleitores mais velhos. Percentualmente, o Município que mais perdeu jovens foi Guarujá, 42,9%, seguido por Santos, com 35,5%. Migração O cientista político Rafael Mucinhato diz que é preciso levar em conta as dinâmicas migratórias regionais. Ele explica que cada vez mais pessoas da classe média santista vão morar em Praia Grande para manter o patamar, já que a Cidade tem um custo de vida mais baixo. “Isso reflete no eleitorado. Não é à toa que a disputa eleitoral em Praia Grande na eleição municipal do ano passado teve uma dinâmica parecida com a de Santos: uma candidatura da direita, do PSDB, contra uma candidatura da extrema direita, representando o campo bolsonarista”.