Dados oficiais mostram que 192.531 eleitores deixaram de ir às urnas no domingo, dia do segundo turno da eleição em Santos e Guarujá (Vanessa Rodrigues/AT) O desencanto e a desconfiança de eleitores com a política, o índice de idosos com idade a partir de 70 anos e desobrigados de votar e a troca do ambiente físico pelo virtual na realização de campanhas eleitorais são possíveis explicações para um fato: 192.531 eleitores deixaram de ir às urnas no domingo, dia do segundo turno da eleição em Santos e Guarujá. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A abstenção supera a população de cinco cidades da Baixada Santista: Bertioga, Cubatão, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe. Em Santos, ausentaram-se 119.324 eleitores, ou 33,74% do total, acima da votação do prefeito reeleito, Rogério Santos (Republicanos; leia mais na coluna Dia a Dia). Em Guarujá, 73.207 faltaram (30,29%), mas em número inferior à votação do prefeito eleito, Farid Madi (Pode), com 83.652 sufrágios. A abstenção não foi alta apenas na região. Em São Paulo, não compareceram 2,9 milhões de eleitores, ou 31,4% dos registrados. O cientista político, professor e responsável pela metodologia e Relações Institucionais do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), Alcindo Gonçalves, tem quatro hipóteses para esse nível de ausência: o número de jovens e idosos não obrigados a votar; a desatualização do cadastro da Justiça Eleitoral, feita pela última vez há mais de 20 anos; “o desinteresse, o desencanto, a desesperança” do eleitorado na política e a “multa ridícula” para quem não vota e justifica a falta, de R\$ 3,51. “Precisamos de uma mudança cultural, dos políticos e das pessoas. Precisamos ter uma mudança substantiva, estrutural, das relações políticas. Para as pessoas, gradualmente, retomarem a confiança nas instituições e nos políticos, entendendo que, participando, elas podem influir na sua própria vida e no futuro das cidades e dos estados.” A cientista política Clara Versiani pondera que “a abstenção no primeiro turno em 2020 ficou em torno de 30% também, em Santos e Guarujá”, em uma tendência nacional. Clara considera, porém, “que os partidos precisam repensar as suas plataformas e os seus programas, buscar mobilização, ouvir essa população e, até, se informar para repensar suas estratégias”. OUTRA HIPÓTESE O cientista político e CEO do Instituto Ibespe, Marcelo Di Giuseppe, acredita que a abstenção foi alta porque, segundo ele, as redes sociais afastaram os candidatos da população. O índice de ausência, portanto, deixa como lição para os políticos que é preciso estar presente pessoalmente e bem antes do período eleitoral. “(Em campanha eleitoral) Existe um tempo muito curto para a pessoa ser conhecida. Ele (o pré-candidato) deve ter atuação periódica e metodológica na cidade, de forma a ter uma ação. Seja tendo uma associação que seja muito conhecida, da qual ele faça publicação de material gráfico, para mostrar a sua atuação. Para, quando chegar o momento eleitoral, ele já sair na frente. Antes de buscar o voto, buscar fãs, ser um político pelo qual as pessoas têm admiração. O político tem que voltar a querer ser admirado antes de ser votado. O voto é uma consequência”, discorre Di Giuseppe.