Paulo Mendes: "O que faz você ter coragem para dar um passo arrojado é compreender os riscos. Se estiver disposto a comprá-los, você anda” (Alexsander Ferraz/ AT) O Grupo Mendes, que completou 50 anos em 2025, mira as próximas décadas unindo arrojo e conservadorismo. A combinação tem se mostrado exitosa, em vista do número de empreendimentos desenvolvidos. Para o presidente, Paulo Mendes, os destaques ficam para o Villamar Shopping, em Praia Grande, a ampliação do portfólio de empreendimentos imobiliários e o crescimento no segmento de energia. Confira sua entrevista para A Tribuna. Se 2025 foi marcado pelos 50 anos do Grupo Mendes, como está a empresa hoje? Quais avanços ocorreram neste último ano? De maio do ano passado para cá, o que aconteceu de novo foi o início das obras do Shopping Villamar, em agosto do ano passado. A entrega será em abril de 2028. Inicialmente, a entrega seria em 2027. Por que a mudança? Não existe shopping sem lojista. Depois de um determinado volume de vendas, a gente fez uma enquete com os lojistas perguntando: “O que vocês querem de data de inauguração?”. Porque o mercado está muito difícil, começou a baixar agora a (taxa) Selic (hoje em 13,75% ao ano). Questionamos se eles se achavam confortáveis com essa data de setembro de 2027. A resposta foi que, se pudessem atrasar mais seis meses, seria mais confortável por conta dos investimentos. Não muda muita coisa para a gente. Atualmente, em qual estágio está o empreendimento? Atingimos 60% de ocupação na comercialização. Na entrega, em abril de 2028, vai ser em torno de 95%. É claro que a gente está mirando nos 100%, mas não quer baixar de jeito nenhum de 95% de ocupação. Para se ter uma ideia, no Praiamar (entregue em 2000), a ocupação foi de 77%, e no Brisamar (entregue em 2007), foi de 92%. Então, por mais que o momento seja desafiador, a receptividade está muito boa. As chamadas lojas-âncora já foram definidas? Foram todas definidas, assim como as semiâncoras. As megalojas, faltam algumas. A praça de alimentação está praticamente finalizada, restam uma ou duas lojas. O resto são as satélites que estão faltando, para perfazer os outros 40%. Durante a construção, entre diretos e indiretos, falamos de algo em torno de 4 mil a 5 mil empregos. Depois da inauguração, entre 5 mil e 6 mil. O senhor já falou sobre a acolhida em Praia Grande. Isso indica a possibilidade de outros investimentos na Cidade? A gente enxerga muito valor em Praia Grande, por toda a trajetória. Se pegar de uns anos para cá, a população aumentou consideravelmente, algo em torno de 40 mil, 50 mil, para 370 mil. Esse fato, sozinho, já é muito importante. Da mesma forma, a Cidade se qualificou junto com isso. Então, o quanto isso irradia para toda a economia local, é muita coisa. É aí que se vê o grande valor para fazer o investimento em Praia Grande. "Somos o maior (grupo) do Estado em geração de energia GD e estamos entre os dez maiores do Brasil. (...) Hoje, temos por volta de 13 mil clientes”, diz Paulo Mendes (Alexsander Ferraz/ AT) Existem áreas em observação para futuros investimentos? A gente aposta no local em que está fazendo o shopping. É claro, está atrelado àquilo que a gente quer enquanto desenvolvimento. E escolhemos esse local, por mais que teve opção, no passado, de outro até mais barato do que esse, por dois motivos: um é que tem 5 mil funcionários públicos municipais ali em volta desse terreno, fora os do Estado e do Judiciário, deixando esse número um pouco maior. E, por mais que a zona primária não esteja hoje ocupada, enxergamos nisso uma baita oportunidade de crescer de uma forma organizada e planejada. Nossa aposta está aí, tanto na questão do varejo, do shopping, quanto na parte imobiliária. Nosso foco é na região do (bairro) Mirim. E como é que funciona a cabeça do investidor, diante de um cenário eleitoral ainda incerto, à espera de definição e com propostas econômicas distintas? Há duas coisas que eu acho fundamentais. A primeira é que temos que acreditar muito nos nossos projetos. Se tiver alguma dúvida, não lança. E acreditar muito no local onde está sendo desenvolvido. Porque é de médio e longo prazos, nunca de curto prazo. Por isso, essa questão de como se apresenta a economia no momento é importante, mas não é decisiva. A outra, que é o que faz com que você tenha coragem para, eventualmente, dar um passo arrojado, é compreender os riscos. Se estiver disposto a comprá-los, você anda. Tem que ser um misto de conservador com arrojado. Sobre os investimentos imobiliários e de incorporação, quais ações e entregas destaca? A gente está entregando agora metade do complexo Navegantes, que é uma torre do Navegantes e duas do Ilhas Resort (em Santols). O Ilha está sendo entregue agora, e o Navegantes, entre o final de novembro e o começo de dezembro. A outra metade do Ilhas vai ser entregue no final do ano que vem, entre outubro e novembro, e do Navegantes em janeiro de 2028. Além disso, para complementar esse projeto, estão faltando um empório e dois restaurantes. Vamos começar a prospectar qual é a operação no meio do ano que vem. Há outros empreendimentos no foco? Também lançamos, neste ano, o San Martin, no Canal 7, e, há poucos dias, o Alameda Brasil. A partir do ano que vem, faremos um lançamento a cada quatro meses, ou seja, três por ano. Há sinalização de demanda para atender a esses novos empreendimentos? O Navegantes surpreendeu demais a nossa expectativa. Conosco e com os outros incorporadores, acontece a mesma coisa: vendemos majoritariamente para santistas e, quando não são daqui, têm alguma relação com a Cidade – ou casaram com um santista. Cerca de 95% é para santistas. Pensamos que o tempo para absorver o complexo ia demorar muito mais. Enxergamos nisso o potencial que tem a Cidade, uma carência e uma sede em adquirir imóveis de qualidade. Sobre a Alameda Armenio Mendes: como estão as obras? Quais passos estão planejados? A gente já começou a nossa intervenção. Vamos fazer toda a lâmina da antiga Guaiaó. Ela começa no Canal 6 e vai até a Alexandre Martins. Vamos enterrar a fiação para deixar um visual limpo e moderno. Pretendemos fazer essa entrega até o final deste ano. O senhor entende que a Alameda Armenio Mendes tem potencial para virar uma referência para outras intervenções urbanas a serem feitas na Cidade? Meu pai era um apaixonado por Santos, apesar de ter nascido em Portugal. Naquele local, especificamente, é simbólico, pelas intervenções que ele fez em Santos. Ali estão o Praiamar Corporate, o Hotel Sheraton e o Praiamar (Shopping). Então, tem muito da ousadia dele lá. Contratamos um urbanista para projetar o desenho da rua e demos algumas premissas. Uma delas, para deixar o visual limpo, é enterrar a fiação. Queremos que seja uma referência para Santos. Outro setor que tem sido bastante explorado pelo Grupo Mendes, nos últimos anos, é o da energia, por meio da Ineer. Como está o projeto? Quando pensamos em entrar nesse segmento, seria de uma forma muito mais tímida do que foi, mas foi pelas situações que se apresentaram no decorrer do caminho. Quando pensamos no segmento, as regras do jogo não estavam definidas para o futuro. Isso em janeiro de 2022. O (ex-presidente Jair) Bolsonaro fez um marco regulatório para a geração de energia GD (geração distribuída), que é o que a gente está explorando. Dizia que, quem quisesse investir no GD e conseguisse protocolar e obter os pareceres até janeiro de 2023, poderia usufruir do benefício até 2045. Isso fez com que a gente acelerasse nossos investimentos e aumentasse o tamanho do projeto. Tanto que pensamos, no começo, em fazer algo em torno de 30 MW (megawatts) e, quando se regulamentou, subimos para 100 MW. Hoje, nosso portfólio está em 250 MW. Para se ter uma ideia, somos o maior (grupo) do Estado em geração de energia GD e entre os dez maiores do Brasil. Isso, se a gente pensar que a primeira usina entrou em funcionamento em maio de 2023. Hoje, temos por volta de 13 mil clientes. Mas pretendemos, depois que estiver tudo implantado, estabilizar em até 19 mil até junho ou agosto do ano que vem. Para encerrar: como recebeu a repercussão da exposição sobre o seu pai e os 50 anos do Grupo Mendes na Pinacoteca Benedicto Calixto? A ideia foi do Roberto (Clemente Santini, presidente da Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto e diretor-presidente da TV Tribuna). Certa vez, ele estava conversando conosco e sugeriu uma exposição da história do meu pai e do Grupo Mendes e, compramos essa ideia. Gostamos da provocação. Contratamos uma pessoa, e quem acompanhou isso foi meu irmão, Alex, junto com a empresa Orbity. Eu conheci a exposição no dia da abertura, e ela superou minha expectativa. Ainda bem que eu não opinei porque eu ia estragar (risos). Teve uma boa visitação. E, na véspera do encerramento, recebemos o ex-presidente Michel Temer. Fechamos com chave de ouro e a visita de uma figura importante.