Na Baixada Santista, a proximidade com o mar e a ocorrência frequente de eventos extremos tornam os efeitos ainda mais visíveis para a população (Vanessa Rodrigues/Acervo A Tribuna) As mudanças climáticas deixaram de ser um assunto distante para os moradores do litoral de São Paulo. Ondas de calor mais intensas, chuvas extremas e períodos de estiagem já são percebidos por oito em cada dez pessoas que vivem na Baixada Santista, segundo levantamento realizado pelo Instituto Aerah House. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O dado acompanha uma tendência observada em todo o Brasil. Nacionalmente, 82% dos brasileiros afirmam que os eventos climáticos extremos já afetam a vida da população, enquanto mais da metade relata ter sofrido algum impacto ambiental nos últimos anos. O contexto também coincide com a atenção de especialistas para a possível formação de um novo episódio do fenômeno El Niño, que influencia o aumento das temperaturas globais e pode provocar alterações significativas no clima brasileiro, incluindo períodos de seca mais prolongados em algumas áreas, chuvas acima da média em outras e uma maior frequência de eventos extremos. Segundo a sócia-fundadora do Instituto de Pesquisa Aerah House, Fernanda Faria, o debate evoluiu nos últimos anos. “Os dados mostram que a mudança climática deixou de ser percebida como um problema distante para se tornar uma experiência concreta. As pessoas não estão falando apenas sobre algo que pode acontecer no futuro. Elas estão falando sobre enchentes, secas, ondas de calor e outros eventos que já afetam seu cotidiano”, afirmou. Percepção cada vez maior Na Baixada Santista, a proximidade com o mar e a ocorrência frequente de eventos extremos tornam os efeitos ainda mais visíveis para a população. Segundo o levantamento, feito em abril de 2026, 70% dos entrevistados consideram que o Brasil não cuida do meio ambiente da forma como deveria, demonstrando preocupação com a capacidade do País de enfrentar os desafios climáticos dos próximos anos. Para Fernanda, a população identifica essas transformações porque elas afetam diretamente aspectos essenciais da vida cotidiana. “A pesquisa mostra uma população que já vive sob pressão financeira, emocional e social. Quando surge a possibilidade de novos eventos climáticos extremos, isso tende a reforçar a percepção de instabilidade. Quanto maior a sensação de imprevisibilidade, maior tende a ser a busca por segurança, planejamento e proteção”, destacou. Desafio para o futuro Especialistas apontam que regiões litorâneas, como a Baixada Santista, estão entre as mais vulneráveis às mudanças climáticas, exigindo investimentos em prevenção, adaptação e educação ambiental. A percepção da população reforça essa necessidade. Mais do que reconhecer a existência da crise climática, os moradores demonstram preocupação sobre como cidades e governos estão se preparando para enfrentar seus efeitos nos próximos anos. O consenso, segundo a pesquisa, é que a discussão já mudou de foco: o desafio agora não é convencer as pessoas de que o clima está mudando, mas encontrar caminhos para conviver e minimizar os impactos dessa nova realidade.