Somente em 2023, foram estimados mais de 70 mil novos casos da doença no Brasil (Vanessa Rodrigues/ AT) A cor de novembro é azul: as prefeituras da Baixada Santista já estão se mobilizando para a campanha de conscientização do câncer de próstata, que destaca, principalmente, a importância do exame preventivo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A doença é o segundo tipo de câncer mais comum nos homens (29%), após apenas dos cânceres de pele - somente em 2023, foram estimados mais de 70 mil novos casos no Brasil, com uma média de aproximadamente 15,9 mortes a cada cem mil habitantes segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Em Santos, segundo a Secretaria da Saúde, o número de mortes por câncer de próstata já superou o do ano passado, quando 41 pacientes morreram por causa da doença. Em 2024, já são 49 vítimas do tumor que pode ser facilmente detectado e tratado precocemente quando é feito o acompanhamento correto. Aliás, o diagnóstico logo no início da doença proporciona uma taxa de cura de até 90% e, além disso, o tumor costuma evoluir lentamente. Mas então, por que ainda há tantas vítimas? O preconceito, aqui, é literalmente um atraso de vida. Por causa dele, muitos homens deixam de procurar os médicos e se recusam a realizar o exame de toque de próstata, que é a principal forma de detectar se há algo de errado com a região. “A principal dificuldade dessa conscientização é que os homens não se conscientiza por conta do mito que cerca o toque retal. Eles acham que vão perder a masculinidade”, diz o urologista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ubirajara Ferreira. O especialista, que é lider do Departamento de Cirurgia e responsável pela campanha Novembro Azul na Unicamp, ainda é o autor do livro “Câncer de Próstata - Tire suas dúvidas: 99 respostas e um alerta”. Na obra, o médico tenta desmitificar algumas ideias que permeiam a resistência masculina para a realização do exame de próstata. Para isso, 200 homens foram entrevistados por meio de um questionário onde informaram, por exemplo, quem havia marcado a consulta no urologista (na maioria dos casos, a esposa, que também costuma acompanhá-lo). “Vimos também que muitos homens que achavam que o toque era ruim não acharam o exame ruim: 90% deles responderam que é melhor ou menos ruim do que eles pensavam”, revela. O exame No exame de próstata, o médico insere o dedo indicador lubrificado e protegido por luva no ânus do paciente para avaliar o tamanho, consistência e a presença de nódulos na próstata. O toque retal, embora possa parecer desconfortável, é necessário: a próstata é uma glândula no formato de uma noz que envolve o canal urinário. Ela é responsável pela produção de até 60% do líquido espermático e fica localizada logo abaixo da bexiga. Com o passar dos anos, a próstata tende a aumentar e esse aumento pode se transformar em um tumor benigno - o que acontece na maioria dos casos - ou maligno, que pode evoluir para o câncer. Como a glândula envolve o canal urinário, quando aumenta o canal fica mais estreito. “O paciente terá dificuldade para urinar, acordar muitas vezes para urinar no meio da noite porque sempre resta um pouco de urina na bexiga, já que ele não consegue esvaziar direito, e pode ter dor”. Esses sintomas são comuns, e, por isso, o toque retal é essencial para identificar se há nódulos na próstata. Quando o paciente começa a desenvolver o câncer, a glândula muda de consistência, ficando endurecida. Consulta periódica é aliada da prevenção A recomendação dos especialistas é que os pacientes compareçam anualmente ao urologista a partir dos 45 anos caso tenham histórico familiar de câncer de próstata e a partir dos 50 caso não. “O paciente tem que ir ao médico. Se ele não for, a gente acaba não fazendo o diagnóstico no momento certo e vai ter que tratar a doença de uma forma mais agressiva”, alerta o urologista da Unicamp, Ubirajara Ferreira. A retirada da próstata, que é a forma cirúrgica de conter a doença, pode causar disfunção erétil temporária em até 60% dos pacientes e incontinência urinária. Além disso, caso não seja contido, o câncer pode se espalhar para outras partes do corpo e até mesmo levar o paciente à morte. Não é segredo para ninguém que é um processo doloroso tanto fisicamente - no estágio final, o câncer pode atingir os ossos e provocar diversas fraturas - e emocionalmente. Por isso, o alerta que o urologista faz é vital. “O homem tem que se conscientizar que, quando ele vai se tratar e ver se tem ou não um câncer, ele tem que pensar na família dele. Ele tem que ficar bem para continuar cuidando e mantendo a família”, diz.