[[legacy_image_278555]] O sorriso oculta uma longa e extenuante jornada por sobrevivência. No entanto, é a expressão genuína de alívio e gratidão por, finalmente, encontrar abrigo e segurança para si e sua família no Brasil. Assim, o tradutor e intérprete afegão Mohammad Navid Haidari, de 39 anos, contou como deixou sua pátria, onde corria o risco de ser morto pelas forças do grupo extremista Taleban, há um ano e meio. Mohammad, sua mulher e seus filhos — três meninos e uma menina — fazem parte do grupo de refugiados do Afeganistão que estão abrigados na Colônia de Férias do Sindicato dos Químicos de São Paulo, no Jardim Solemar, em Praia Grande, desde sexta-feira. Mohammad e sua família residiam na Província de Parwan, a 40 quilômetros de distância de Cabul, quando o Taleban tomou a capital afegã e assumiu o controle do país, em agosto de 2021. No Afeganistão, Mohammad Navid prestava serviço de tradução para as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e, por isso, se tornou um alvo. “A situação no Afeganistão é muito ruim. O governo foi devastado após a tomada pelo Taleban. O Taleban nos odeia. Eu costumava fazer traduções para as forças da Otan, e os talebans procuravam por mim. Se eles me capturassem, eu seria executado”, contou. [[legacy_image_278556]] Sob risco iminente, a família deixou o Afeganistão. “Nós escapamos do Afeganistão pela fronteira com o Irã ilegalmente. Caminhamos a pé com as crianças por 38 horas até a divisa. No Irã, fomos até a embaixada brasileira e, no serviço humanitário, conseguimos os vistos e os documentos. Após mais de um ano, saímos do Irã para o Catar e de lá para Guarulhos”, relatou o refugiado. De acordo com Mohammad, ao desembarcarem no aeroporto, em Guarulhos, sua família e os demais afegãos enfrentariam transtornos enquanto se arrastava o impasse sobre o destino deles no Brasil. “No aeroporto, nós tivemos problemas com acomodação, para dormir, dificuldade para caminhar pelo salão, mas, aqui nesta casa (colônia de férias em Praia Grande), temos banheiro, chuveiro, camas para dormir e uma cozinha. Estamos realmente muito felizes com toda assistência que estamos recebendo. É muito, muito bom. Minha família e eu estamos muito felizes no Brasil. É como estar em casa”, descreve. TemporariamenteOs afegãos permanecerão na colônia de férias por 30 dias, mas a estadia poderá ser prorrogada caso necessário, segundo afirmou, no sábado, o assessor da Secretaria Nacional de Justiça, Rodrigo Portella. Mohammad, porém, declarou que já se sente “em casa” no País e que deseja aprender a língua portuguesa, os costumes e viver como um brasileiro. “Este país é muito bonito, as pessoas são muito bonitas e bondosas. É uma nação diferente, com uma religião diferente e pessoas diferentes, mas penso que esta é a minha pátria agora. Eu vou aprender português e tenho esperança em poder trabalhar aqui”, declarou o intérprete, com um largo sorriso. [[legacy_image_278557]]