Com a chegada do verão, a questão da balneabilidade das praias do estado de São Paulo tem sido um assunto em destaque. O último boletim divulgado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), na quinta-feira (16), trouxe um dado preocupante: mais de 40 praias continuam com a bandeira vermelha, indicando que estão impróprias para o banho. Mas, além da água do mar, um outro fator importante também é monitorado: a qualidade da areia nas praias. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Desde 2009, a Cetesb realiza anualmente uma análise da qualidade sanitária das areias em diversas praias paulistas, principalmente durante o verão. O objetivo é verificar a presença de poluição fecal e outros microrganismos que possam representar risco à saúde dos banhistas. Areia: menos visível, mas também contaminada Embora se imagine que a areia seja mais segura, os estudos mostram que, na verdade, ela pode ser mais contaminada do que a água do mar, especialmente nas áreas secas. Durante a alta temporada, com maior fluxo de turistas, a quantidade de microrganismos na areia tende a aumentar. Contudo, com o fim do verão e a diminuição da quantidade de visitantes, os níveis de contaminação tendem a cair. Em 2023, por exemplo, a Cetesb monitorou 19 praias em diferentes regiões do estado, como a Enseada, em Guarujá, a Grande, em Ubatuba, e a do Sonho, em Itanhaém. Nelas, em algumas coletas, foi detectada uma grande quantidade de coliformes fecais, especialmente os termotolerantes, que indicam presença de matéria orgânica proveniente de esgoto. Desafios no monitoramento da areia Apesar da preocupação com a contaminação das areias, a Cetesb esclarece que não realiza um monitoramento regular da areia, uma vez que ainda não existem normas oficiais que exijam esse tipo de análise no Brasil, nem na maioria dos outros países. Além disso, questões técnicas, como a representatividade das amostras e a metodologia usada, ainda são debatidas em nível internacional. Esgoto e contaminação Outro ponto importante levantado pela Cetesb é o impacto do lançamento de esgoto in natura nos rios, córregos e no mar. Esse esgoto, ao chegar às praias, não contamina apenas as águas, mas também as areias, tornando muitas delas inadequadas para o banho. Isso explica por que praias com menos urbanização, mais afastadas dos centros urbanos, costumam ter águas e areias de melhor qualidade, com menos contaminação. Dessa forma, mesmo que uma praia tenha águas próprias para o banho, isso não significa que a areia esteja livre de contaminação. A Cetesb alerta para a importância de estar atento não apenas à cor da bandeira da água, mas também a outros fatores que podem afetar a saúde dos banhistas, como a poluição das areias.