[[legacy_image_63714]] O contador de histórias é uma figura muito importante, especialmente para crianças. E, neste sábado (20), a profissão é celebrada com o Dia Internacional do Contador de Histórias, oficializado em 1991 na Suíça durante um evento literário. O grande objetivo da criação da data era, na época, estimular a formação de uma rede de narradores. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Camila Genaro exerce a profissão em Santos desde 1998. Para ela, que é professora de formação, fazer a escolha entre as duas profissões foi determinante: "ser contadora de histórias é meu ofício", afirmou ela em entrevista para A Tribuna. A contadora de histórias deu seu primeiro passo durante o magistério, em um curso paralelo promovido pela Proler em Santos; algo que era novidade na época. "No primeiro dia morri de vergonha de fazer as atividades, mas insisti e comecei a perceber a contadora de histórias que existia em mim e comecei a entender minha voz narrativa nesse processo", contou ela. Para ela, as crianças que crescem ao redor de histórias se tornam adultos muito mais seguros de si, que sabem lidar melhor com as frustrações da vida real, porque os contos são o primeiro "leite literário". A rotina de um contador de histórias pode parecer simples aos olhos de quem está apenas vendo, mas envolve todo um processo em volta daquela história escolhida, incluindo pesquisa e escolha de figurino. Camila ressalta que é preciso ser bem atento e estar sempre pesquisando e estudando. "Não adianta eu apresentar uma história sobre matrizes africanas se eu não pesquiso essa cultura", afirma ela. A internet possibilitou que as histórias cheguem muito mais longe, em outras cidades e até mesmo outros países, pelas redes sociais, por exemplo. A contadora Cora Corina de Assis é jornalista e garante que todo mundo tem uma história para contar. Em 2018, começou a estudar para se tornar contadora de histórias e garante que é uma experiência muito enriquecedora. Ela afirma que a contação de histórias pode ajudar pessoas a passar por momentos difíceis como um luto: "essa é uma forma lúdica de lidar com assuntos pesados como a perda de um ente querido, principalmente em um momento como o que estamos passando, pois a história leva as pessoas a outro imaginário", explica. Para a contadora de histórias Clara Haddad, essa é a melhor forma de enriquecer a cultura: "podemos enriquecer as experiências, as nossas e a dos nossos ouvintes, que a partir da escuta de um conto tradicional ou literário poderá começar a desenvolver diversas formas de linguagem". E engana-se quem pensa que o contador de histórias é mais voltado ao público infantil. Segundo Cora, empresas já fazem isso por meio do storytelling para resolver conflitos e o adulto precisa da contação de histórias. "Uma boa história não pode ficar de fora, sobretudo em um momento como esse. Meu recado é que todos os contadores continuem fazendo com que uma boa história circule, mesmo no meio virtual", finaliza ela. Camila encerra a conversa com uma reflexão: "a gente ainda entende que contar é preciso, a arte humaniza".