[[legacy_image_297585]] A neuropediatra Karen Baldin falou sobre a importância do diagnóstico precoce do transtorno de espectro autista (TEA) e relatou a escassez de profissionais da área da saúde especializados que realizem esse procedimento. A senhora tem um trabalho assíduo com casos de transtorno de espectro autista (TEA). Por isso, gostaria de saber como avalia a escassez de neuropediatras e psiquiatras infantis para a realização desse diagnóstico, visto que muitos pais ficam em filas de espera aguardando por esses profissionais?A formação é muito longa. Precisa fazer Pediatria para poder cursar Neuropediatria. Para fazer Psiquiatria infantil, precisa fazer de adulto. Então, é um caminho tão longo, poucas vagas oferecidas e o número de pacientes parece estar aumentando. Hoje, nós temos uma incidência de uma criança com diagnóstico de TEA em 36. Realmente está difícil achar esse profissional, tanto nos cenários do Sistema Único de Saúde (SUS) como também nos convênios. Tem ficado cada vez mais difícil aos pais encontrarem profissionais bons e qualificados. Como diagnosticar o TEA? É importante um diagnóstico precoce? Sim. Nós temos que fazer uma avaliação com muito cuidado nesses casos, pois os sinais podem começar antes de 1 ano de vida. Muitos pais acham que os sinais são como andar na ponta dos pés, por exemplo, mas não é exatamente sobre isso. É sobre a qualidade da comunicação, da interação, sobre como essa criança está se desenvolvendo, como ela brinca, se tem padrões repetitivos, se está respondendo interação com os pais. Alguns falam que desde os 3 meses de idade já verificaram que o filho tinha alguma coisa. Outras crianças já têm um padrão mais regressivo. São aquelas que nascem, se desenvolvem e bem perto de 1 ano e meio a 2 anos, começam a perder habilidades já conquistadas. Esse também é um sinal muito importante. Qual é a principal causa? Tem alguma relação genética? Sim. Hoje nós temos trabalhos importantes publicados que falam que mais de 93% dos casos são genéticos, sendo 80% hereditários. Quando os pais recebem o diagnóstico de TEA ou alguma outra questão ligada ao neurológico, o que a senhora diz para eles? Na prática, eles também precisam buscar acolhimento e apoio?São etapas. Muitos pais vivenciam o luto e isso requer tempo. Eu sempre incentivo a acreditar que o TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que, se diagnosticado precocemente e tratado, melhora muito. Então, ao invés de deixar o tempo passar, eu indico que os pais se acolham, mas também botem a mão na massa. Tenho muitos casos de crianças com 5 ou 6 anos que estou dando alta do consultório e das terapias, pois a criança já está criando as habilidades e se encontra pareada com seus colegas de sala. Eu abraço essas famílias, os centros de terapia são maravilhosos, mas vale a pena olhar para aquela criança e acreditar que o que os pais sonham para ela no futuro pode se realizar. Como a inclusão, é importante o brincar para quem tem esse diagnóstico?É muito importante para todas as crianças, pois faz parte do desenvolvimento cognitivo.