[[legacy_image_114675]] A iniciativa de não ter queima de fogos nas praias durante a virada de ano, anunciada pelas prefeituras de Santos e de Guarujá, é vista como acertada por infectologistas entrevistados por A Tribuna. Na avaliação deles, embora os números apresentem melhora, é importante evitar grandes aglomerações. “Acho uma decisão acertada. Estamos em uma fase de transição epidemiológica no Brasil, mas ainda com circulação viral evidenciada por muitos casos leves entre vacinados, além do subdiagnóstico. E, fora do Brasil, muitos países vacinaram pouco e a circulação de uma nova e desafiadora variante não pode ser totalmente descartada, embora improvável”, diz o infectologista Evaldo Stanislau. O infectologista Leonardo Weissmann também elogia a medida e espera que as demais prefeituras sigam esse caminho. “Mesmo com a queda do número de casos e óbitos, não podemos afirmar que a pandemia está controlada. Festa de Réveillon gera aglomerações, inevitavelmente. Ainda não é hora para isso”, diz. A infectologista Raquel Stucchi acredita que os municípios estão sendo cautelosos. “Os números atuais e a progressão da vacinação até nos permitem uma programação mais ousada, na minha maneira de ver, para o final do ano. Agora, já diziam os antigos: cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”. No próximo dia 26, os prefeitos devem debater o tema em reunião do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb). Outras cidades ainda não definiram a situação. Pandemia controlada? Segundo Stanislau, para dizer que a pandemia está controlada, sobretudo em um cenário de infecções assintomáticas ou com apresentações clínicas leves nos vacinados, deveríamos testar mais. “Uma vez que a redução de internações, casos novos notificados e mortes, indicadores habitualmente utilizados, tende a diminuir, dando, talvez, uma falsa sensação de menor circulação viral. Certamente estaremos em uma melhor situação em termos de desfechos clínicos mais graves, mas é incerto que com menos vírus circulando” Weissmann lembra que as projeções eram que de 70% a 80% da população precisaria estar totalmente vacinada para uma imunidade coletiva. Com o surgimento de variantes do vírus, mais transmissíveis, esse número passa a ser maior, acima de 90%. “Tendo em vista que a imunidade coletiva será necessária para o controle da pandemia, não acredito que este número seja alcançado até o final do ano”. Mortes em queda A queda no número de mortes por covid-19 na região é real. A média móvel teve redução de 20% (leia mais abaixo). Em Santos, a média de mortes sofreu uma redução de 56% em um período de 14 dias e a Cidade está há quatro dias sem mortes. Em Mongaguá, o último óbito ocorreu no dia 3 de setembro, ou seja, há mais de 40 dias. Já Peruíbe está há 15 dias sem mortes. Significa que as vacinas funcionam, diz Stanislau. “A principal função da vacina é evitar mortes e formas graves que levem à internação. E isso é o que os números mostram. Embora muito seguras e efetivas, as vacinas não evitam totalmente a transmissão do vírus”. Para Weissmann, a curva de óbitos está em uma tendência de queda no momento, mas não significa controle. “É preciso que todos tomem as duas doses da vacina ou a vacina em dose única, e manter as medidas de precaução, especialmente o distanciamento físico e o uso de máscara respiratória, inclusive pelas pessoas já vacinadas”. De acordo com Raquel Stucchi, tudo indica que estamos indo para um controle mais efetivo da pandemia. “De fato, não temos certeza. Sempre tem a probabilidade de chegar uma nova variante de outro país e fazer com que a pandemia volte a ter números assustadores. Mas, hoje, essa possibilidade é remota”.