Em Santos, mulheres representam 55% do total de eleitores, com 193.123 cidadãs aptas ao voto este ano (Alexsander Ferraz/Arquivo AT) As mulheres representam a maioria do eleitorado em todas as cidades da Baixada Santista nas eleições de 2026. Segundo dados disponíveis no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), elas também são maioria entre os eleitores aptos no Estado de São Paulo e no Brasil, cenário que, na avaliação de cientistas políticos, pode fazer do voto feminino um dos principais fatores para definir a disputa deste ano. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na Baixada Santista, Santos concentra o maior número de eleitoras. Dos 348.128 eleitores aptos, 193.123 são mulheres, o equivalente a 55%. Em Praia Grande, são 145.189 eleitoras entre 264.222 pessoas aptas a votar, também 55%. São Vicente tem 138.618 mulheres entre 255.921 eleitores, o equivalente a 54%. Em Guarujá, são 126.926 eleitoras de um total de 238.508, ou 53%. A participação feminina também é majoritária em Itanhaém, com 46.115 eleitoras, 54% do eleitorado de 85.246 pessoas. Em Cubatão, são 47.028 mulheres entre 90.437 eleitores, 52%. Bertioga tem 27.680 eleitoras de 53.049, também 52%. Em Mongaguá, as mulheres representam 54% do eleitorado, com 27.297 eleitoras entre 50.648 pessoas aptas. Peruíbe possui 32.243 eleitoras, 54% dos 60.030 eleitores. O cenário regional acompanha a realidade estadual e nacional. No Brasil, são 83.887.627 eleitoras entre 158.765.458 eleitores aptos, o equivalente a 53%. Em São Paulo, as mulheres somam 18.160.990 de um eleitorado de 34.105.332, também 53%. Para o cientista político e pesquisador Alexandre Gossn, o peso desse eleitorado ocorre em um contexto de crescente polarização política entre homens e mulheres. Segundo ele, essa diferença seria ainda mais acentuada entre as gerações mais jovens. Gossn avalia que a segurança pública, incluindo a violência doméstica e o feminicídio, deve ter peso importante na decisão das eleitoras. Para ele, candidatos com propostas consideradas excessivamente agressivas relacionadas à segurança e ao armamento podem enfrentar dificuldades para conquistar esse público. “A maior parte do eleitorado é feminino”, afirmou. Na avaliação do pesquisador, além da violência contra a mulher, as eleitoras também observam questões práticas, como educação dos filhos, atendimento de saúde e segurança. O cientista político Fernando Chagas também considera o voto feminino decisivo. Para ele, uma parcela específica do eleitorado pode ser fundamental para definir uma eleição apertada: mulheres com mais de 40 anos, mães e moradoras das periferias, especialmente de baixa renda. Segundo Chagas, esse grupo estaria menos preocupado com disputas ideológicas e mais atento a questões do cotidiano. Entre os principais temas apontados por ele estão educação, saúde, custo de vida, alimentação e segurança nos bairros. “Parece pequeno, 3%, mas numa eleição equilibrada, você vai ter os candidatos que precisarão conquistar os votos da minoria”, afirmou. (Reprodução/AT) Violência contra a mulher O feminicídio também aparece como uma das pautas capazes de influenciar o comportamento eleitoral feminino. Segundo os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou uma taxa de 1,4 morte para cada 100 mil mulheres em 2025, uma alta de 4% em relação a 2024. Para Chagas, os candidatos precisam apresentar propostas relacionadas não apenas ao feminicídio, mas também à prevenção e ao combate às agressões contra mulheres. Ele defende maior acolhimento às vítimas e mais rapidez na atuação da Justiça. Gossn também relaciona a violência contra a mulher ao comportamento eleitoral. Para ele, candidatos precisam demonstrar coerência entre seu histórico, suas falas e suas propostas. Na avaliação dos dois especialistas, o perfil do candidato também pode interferir na escolha. Chagas afirma que um político excessivamente agressivo pode encontrar resistência entre as eleitoras, mesmo quando a agressividade é direcionada a adversários políticos. Gossn, por sua vez, ressalta que ter grande presença nas redes sociais não significa necessariamente converter essa atenção em votos. Segundo ele, candidatos podem alcançar grande visibilidade, mas também provocar rejeição em determinados grupos. Voto feminino tem peso na escolha para o Legislativo A influência do eleitorado feminino também pode aparecer nas disputas para deputado estadual e federal. Fernando Chagas avalia, porém, que muitas eleitoras ainda associam temas como violência contra a mulher principalmente ao Poder Executivo e às forças de segurança, deixando em segundo plano o papel do Legislativo na criação das leis. Para Alexandre Gossn, a baixa representatividade feminina no Congresso ainda é um obstáculo. Ele defende uma composição parlamentar que reflita melhor a diversidade da população brasileira. Os dois especialistas concordam, porém, que o voto feminino terá peso importante em 2026. Para Chagas, a definição pode ocorrer principalmente na reta final da campanha, quando as eleitoras ainda indecisas avaliarem as propostas apresentadas pelos candidatos. Gossn aponta três grandes fatores que podem definir esse voto: segurança pública, economia e o debate sobre soberania, acrescentando que a corrupção pode aparecer, mas tende a ter menor capacidade de mobilização entre os principais grupos políticos.