Santos foi sede do Encontro Cidades ODS, em junho do ano passado, na Associação Comercial de Santos (Sílvio Luiz/AT) O primeiro passo foi fortalecer o conceito sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ampliando a adesão dos setores público e privado para um pacto coletivo pelas causas ali descritas. A partir de agora, o desafio é usar as ações de cada parceiro na redução dos indicadores vermelhos da região, aqueles que precisam melhorar nas questões sociais, econômicas e ambientais. Para isso, é preciso criar um painel metropolitano com todos os indicadores, cidade por cidade, e identificar quais ações devem ser adotadas para cada indicador ruim. Essa é a linha de atuação do Movimento ODS Santos 2030, uma iniciativa lançada há dois anos que busca engajar a sociedade santista — incluindo governos, empresas, organizações da sociedade civil, universidades e cidadãos — na implementação e promoção dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Esses objetivos foram estabelecidos pela ONU para orientar o desenvolvimento sustentável no mundo até o ano de 2030, abrangendo áreas como erradicação da pobreza, educação de qualidade, saúde, igualdade de gênero, combate às mudanças climáticas, entre outros. Parcerias e próximos passos O movimento é liderado por Fábio Tatsubô, chefe de Departamento de Política Pública dos ODS, órgão ligado à Ouvidoria Pública da Prefeitura. Ele destaca que, em dois anos, várias parcerias foram feitas com empresas privadas, entidades e instituições. Entre elas, 30 empresas portuárias, 45 micro e pequenas empresas e outras de porte médio. O Grupo Tribuna é signatário do movimento desde janeiro de 2024. Tatsubô explica que, este ano, o desafio é criar uma agenda única, unindo todas as ações desenvolvidas pelos signatários do movimento para entender onde essas ações podem ajudar a minimizar os indicadores ruins. Dia 30 deste mês será o lançamento dessa agenda. Entre os indicadores que desafiam a região está o homicídio juvenil (ODS 16), diz Tatsubô. “Projetos que capacitem os jovens da periferia podem ajudar”, diz. O desafio é “chegar nesses jovens e depois acompanhar se esse tipo de projeto está, de fato, ajudando a reduzir a criminalidade”. Outra meta para esta nova etapa do Movimento ODS Santos 2030 é aumentar a cobertura vacinal e reduzir casos de IST/aids, assim como reduzir casos de feminicídio, racismo e crimes praticados contra a comunidade LGBT. “Não podemos apenas arranhar a superfície dos problemas. As ações precisam ser efetivas e chegar onde é preciso melhorar”, diz Tatsubô. ODS 18 Além dos 17 ODS da ONU, ganha espaço, especialmente no Brasil, o ODS 18, voltado para a igualdade étnico-racial. O Brasil foi o responsável pela iniciativa, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU em setembro de 2023. O ODS 18 é um marco na luta contra o racismo e a discriminação, e representa um esforço coletivo da comunidade internacional para enfrentar o racismo estrutural, um dos principais problemas de desenvolvimento do país. Santos foi sede de encontro que debateu o tema em dezembro, com a participação do Ministério Público do Estado, que encabeça o movimento, e lideranças locais que militam nessa área.