[[legacy_image_282325]] Dos nove municípios da Baixada Santista, cinco apresentam taxas de mortalidade infantil acima do preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 10 para cada mil nascidos vivos. Cubatão, Bertioga, Guarujá, São Vicente e Mongaguá registraram ao longo no primeiro semestre deste ano números acima do recomendado pela entidade. Cubatão foi a que teve os piores índices. Em 2023, de janeiro a junho, o Município registrou 29,11 mortes para cada mil nascidos vivos. A Prefeitura informou, em nota, que a Secretaria Municipal de Saúde preparou o Plano de Ação para Redução da Mortalidade Infantil e Sífilis Congênita, em fevereiro, após detectar a elevação na mortalidade infantil. A medida prioriza a identificação de casos de gestação de risco e a busca ativa de faltosas nas consultas de pré-natal. A Administração Municipal afirmou, ainda, que aumentou o número de profissionais de saúde na Cidade. Agora são 37 as equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF), distribuídas entre as 17 unidades de saúde do município. A Prefeitura de Cubatão cita também a formação do Núcleo de Atenção à Saúde da Família (Nasf) como outra medida tomada. Formado por ginecologistas, pediatras, outros especialistas e técnicos, o Nasf tem a função de apoiar e orientar equipes de saúde para cumprir as metas de atendimento de pré-natal, proporção de realização de exames de HIV e hepatites entre gestantes, atendimento odontológico a gestantes e ampliação da cobertura vacinal de crianças até 1 ano. Vulnerabilidade socialCom taxa de 16,5 mortes para cada mil nascidos vivos, Guarujá informou que a redução da mortalidade infantil no Município passa por uma série de fatores, como vulnerabilidade social, dependência química e a negligência com o exame pré-natal. A Prefeitura disse também que a Secretaria Municipal de Saúde, em trabalho multidisciplinar com outras políticas públicas, trabalha para apoiar ações de qualificação dos profissionais da área. Já em São Vicente, a taxa está em 12,1 para cada mil nascidos vivos. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde esclareceu que desenvolve um conjunto de ações, via maternidade municipal e atenção primária, para acompanhar as gestantes com gravidez de risco. Por conta dessa político, os casos de maior risco são encaminhados para a maternidade municipal ou para o Hospital Guilherme Álvaro, localizado em em Santos e mantido pelo Governo do Estado. A Prefeitura garante que todos os casos são monitorados. CapacitaçãoNo Litoral Sul, Mongaguá registrou uma taxa de mortalidade infantil de 11,03 óbitos para cada mil nascidos vivos neste ano. Para reduzir o índice, a Prefeitura busca capacitar os funcionários de Saúde par ao pré-natal. Na Cidade, há um Comitê de Mortalidade Infantil, que traça estratégias de saúde, como, por exemplo, um projeto de puericultura que deve ser implantado nas creches. Pós-pandemiaBertioga, com 15,03 mortos para cada mil nascidos vivos, atribui o índice ao cenário pós-pandemia. Em nota, a Prefeitura afirma revisar os protocolos de atenção do pré-natal, com organização do cuidado em casos de gestações de risco e ações educativos e de acolhimento. A Prefeitura também afirma investir na capacitação dos profissionais da rede hospitalar em reanimação neonatal e, por fim, diz incrementar os programas de planejamento familiar. Peruíbe e SantosPeruíbe foi a cidade que apresentou a menor taxa de mortalidade infantil da região em 2023: 4,8 para cada mil nascimentos de crianças vivas. De acordo com a secretária municipal de Saúde, Ana Paula Cardoso, diversas medidas adotadas contribuíram para esse resultado. “O Município tem investido na capacitação permanente das equipes assistenciais do pré-natal e acompanhamento das puérperas e infantes”. Segundo ela, Peruíbe possui um banco de leite que é referência para fornecer leite materno a bebês em situação de risco. Outra medida é a busca ativa de gestantes, puérperas e crianças faltosas nas consultas médicas agendadas nas Usafas e no ambulatório da Casa da Mulher e da Criança. “O Município vem fortalecendo a rede de apoio para monitoramento de gestantes, puérperas e bebês, por meio da parceria com outros órgãos e secretarias”. Mãe santistaSantos foi outra cidade que apresentou números abaixo do limite preconizado pela OMS. O Município registrou taxa de 8 óbitos por mil nascidos vivos. Em nota, a Prefeitura atribuiu os bons resultados ao programa Mãe Santista, em vigor há 10 anos, que presta assistência a gestantes e seus filhos, do pré-natal aos 24 meses de vida. Neste ano, o programa foi expandido em Santos, incluindo pré-natal do pai, com exames de HIV e sífilis, hemograma completo, além de aferição de pressão arterial e atualização da carteira de vacinas. A Prefeitura também tem outras iniciativas a serem lançadas em breve. Uma delas para adolescentes de até 19 anos que já têm pelo menos uma gestação anterior. Elas poderão utilizar como método contraceptivo o implante subdérmico, que estará disponível nas policlínicas e no Instituto da Mulher e Gestante. Além disso, a Municipalidade pretende lançar o programa Santos na Prevenção da Prematuridade, com ações contra fatores de risco à prematuridade. A Policlínica Castelo será a unidade-piloto. Lá, em 2022, houve índice de 23% de nascimentos prematuros. Praia GrandePraia Grande registrou a menor taxa de mortalidade infantil de sua história no primeiro semestre deste ano. Entre janeiro e junho, a taxa registrada ficou em 8,3 mortes para cada mil crianças nascidas vivas. A prefeita de Praia Grande, Raquel Chini (PSDB), afirma que o trabalho para a redução do índice vem de administrações anteriores. “É uma construção que vem desde 1993, com o Município investindo muito na saúde básica”. Unidades de saúdeChini destaca o trabalho das unidades de saúde locais como um dos fatores que contribuíram para a melhora da taxa. “A gente vem com as Unidades de Saúde da Família (Usafas) fazendo o acompanhamento pré-natal, busca ativa das pessoas para fazerem os exames; a UTI Neonatal com novos equipamentos, novas metodologias e equipe capacitada também ajudaram a reduzir a taxa de mortalidade”.