Julio Roberto Katinsky marcou a arquitetura e o design no Brasil (Reprodução/ Instagram) O arquiteto Julio Roberto Katinsky morreu na quarta-feira (10), na cidade de São Paulo, aos 94 anos. O velório e a cremação ocorreram no dia seguinte, também na capital paulista. O profissional teve participação importante na cultura de Santos, no litoral de São Paulo, por ser um dos autores – ao lado dos arquitetos santistas Oswaldo Corrêa Gonçalves e Abrahão Sanovicz – do projeto do Centro de Cultura Patrícia Galvão, na Vila Mathias, totalmente inaugurado em 1979, com a abertura do Teatro Municipal Braz Cubas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Também na cidade da Baixada Santista, mas na área de conservação, Katinsky chegou a coordenar as obras de estabilização estrutural do Engenho dos Erasmos. O complexo é um dos órgãos da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da Universidade de São Paulo (USP). Filho de uma professora brasileira e de um imigrante húngaro que era engenheiro civil, Katinsky nasceu em Salto, no Interior de São Paulo. Ele formou-se em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), em 1957, na qual lecionou por mais de seis décadas – a partir de 1962. Foi diretor e se aposentou como professor titular, tendo recebido o título de Professor Emérito no ano passado. Qualidade arquitetônica Muito conhecido por projetar edifícios de escolas públicas e pelas pesquisas na área de arquitetura educacional, Katinsky não se preocupava apenas em criar edifícios, mas também em dar qualidade arquitetônica aos seus projetos, como disse em algumas ocasiões. Tanto que, em 1965, projetou a própria residência, no bairro Perdizes, na Capital. Concluída em 1973, trouxe sua visão, marcada pelo uso do concreto aparente. Não à toa, Katinsky integra uma seleta galeria de profissionais da área, casos de João Batista Vilanova Artigas, Rino Levi, Lucio Costa e Oscar Niemeyer – os dois últimos responsáveis pela criação da capital Brasília. Emoção da lembrança O legado profissional e acadêmico de Julio Roberto Katinsky foi lembrado por integrantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), em texto publicado no site da instituição. A emoção veio nas palavras assinadas pelo professor titular Artur Simões Rozestraten, pela professora doutora Helena Aparecida Ayoub Silva, pelo professor associado Jorge Bassani e pelo mestrando do Programa do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU-USP), Isac Pereira Marcelino – este último tem a dissertação Arquitetura e Representação: a Obra de Julio Roberto Katinsky. “São recorrentes os relatos, sempre carregados de carinho, de alunas e alunos que tiveram a oportunidade de enxergar o mundo ao seu redor pelos olhos de Julio Katinsky, um olhar generoso, abrangente e profundamente comprometido com as transformações necessárias, ainda que lentas, da sociedade”, começa o manifesto. “Despedimo-nos de Katinsky guardando essa memória afetuosa e generosa, dos ensinamentos, dos livros, das conversas, das maquetes e também dos questionamentos, que marcaram gerações e permanecem vivos em todos aqueles que com ele conviveram”. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) mostrou pesar pela morte de Katinsky, ao se solidarizar “com familiares, amigos, alunos e colegas de profissão, prestando reverência a um mestre cuja postura didática inovadora continuam a guiar os rumos da arquitetura, urbanismo e do design no Brasil”. Nesta última área citada, destaca-se a Poltrona Katinsky, lançada em 1959 e criada a partir de uma encomenda particular de uma cliente, considerada uma referência do mobiliário moderno brasileiro. O Centro de Cultura Patrícia Galvão começou a ser erguido no final dos anos 60 em Santos (Isabela Carrari/ Prefeitura de Santos) Restauração Elementos internos do Centro de Cultura Patrícia Galvão estão sendo restaurados, reformados e repaginados, na terceira etapa de obras no equipamento cultural, que já teve a cobertura do Teatro Municipal Braz Cubas e as fachadas restauradas. Os trabalhos da primeira e segunda etapas foram executados com base em um projeto contratado e desenvolvido justamente pela equipe do arquiteto. O valor total das intervenções em andamento (fase interna e entrada de energia) e as que já foram realizadas (cobertura e fachadas) atingem o total de R\$ 18,5 milhões.