O temporal da madrugada desta terça-feira (4) deixou moradores ilhados em alguns bairros de Santos e São Vicente. Alguns deles contaram para A Tribuna que perderam móveis, e outros chegaram a levantá-los em cavaletes e cadeiras, para que não fossem comprometidos pela água. De acordo com o meteorologista da Defesa Civil de Santos, Franco Cassol, em três horas choveu 78.4 milímetros. Isso é mais do que a metade esperada para o mês todo, que estimava 133,4 milímetros de chuva. (Veja no vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Na casa onde o vigilante Alexsandro Santana, de 43 anos, mora com a esposa e os dois filhos, foram perdidos sofá, armário de cozinha e um guarda-roupas. A água chegou a invadir todo o imóvel que fica na Avenida Marechal Castelo Branco, no bairro Cidade Náutica, em São Vicente. Em imagens encaminhadas por ele, a avenida aparece tomada pela água, que chegou a atingir a altura dos joelhos, segundo o vigilante. Ele contou que os alagamentos ocorrem toda vez que chove e o problema persiste há pelo menos 15 anos. (veja as imagens abaixo) Casa do Alexsandro foi tomada pela água e ele chegou a perder móveis como sofá, armário de cozinha e guarda-roupas (Arquivo pessoal) Ainda em São Vicente, no bairro Catiapoã, a aposentada Severina Gomes dos Santos, de 73 anos, já resolveu se precaver das cheias fazendo suportes para móveis e eletrodomésticos. Na casa onde ela mora, na Rua Engenheiro Ramon Azurza, a água também costuma subir quando chuvas densas acontecem ou a maré sobe. Dessa vez não foi diferente. A idosa, que mora sozinha, teve que contar com a ajuda de vizinhos para erguer a cama e os sofás sobre cadeiras para que não estragassem. Na cozinha, a geladeira, foi colocada em uma espécie de degrau para não ser atingida pela água, e toda vez que deseja pegar algo no eletrodoméstico, Severina precisa usar uma escada. “Isso sempre acontece por aqui. Por isso já deixo tudo no alto para não perder o pouco que eu tenho em casa. Moro aqui há mais de 20 anos, por isso já resolvi me precaver”, contou a aposentada. -alagamento catiapoã em são vicente (1.421785) Na Zona Noroeste de Santos, na Rua Orivaldo de Souza Rocha, no bairro Caneleira, mora a aposentada Maria Angélica Vasques, de 68 anos. Nesta terça-feira (4), ela se deparou com a água dentro de casa logo quando acordou e colocou os pés no chão do quarto. Morando há mais de 50 anos no local, essa não é a primeira vez que acontece uma situação como esta. Por isso, em casa ela já coleciona cavaletes que servem para erguer os móveis quando a água entra. Outra forma de tentar driblar o problema foi construir comportas na entrada da casa. Mesmo com todas essas medidas, Maria Angélica conta que decidiu colocar a casa à venda, pois não aguenta mais passar por essa situação. “É assustador pra gente. Já teve vez que eu perdi meu carro, pois a garagem encheu de água. Também já tive que sair de casa com ajuda de bombeiros durante uma enchente. Não dá pra suportar isso”, comentou. -alagamento caneleira em santos (1.421781) A Prefeitura de Santos esclareceu que trechos da Zona Noroeste alagam porque a maior parte desta região se encontra abaixo do nível das marés mais altas. "Isso faz com que em dias quando a maré sobe haja alagamentos temporários até a maré baixar, mesmo sem chuva. Quando há chuva forte e avanço da maré, a situação se agrava – como ocorreu nesta terça-feira (4)". A Prefeitura ainda disse que vem executando várias obras de macrodrenagem na Zona Noroeste para minimizar o problema em bairros ainda não atendidos pela Estação Elevatória EEC7 e demais obras, entre eles, o Caneleira. O município também destacou que só no mês de maio, cerca de 580 toneladas de resíduos foram removidos de 26 quilômetros de galerias de águas pluviais e bocas de lobo de 28 bairros de Santos. Além disso, cerca de 17 km de canais foram atendidos com serviços de limpeza manual e capinação de talude. A Reportagem procurou a Prefeitura de São Vicente, mas não obteve resposta. -Moradores ilhados temporal Santos São Vicente (1.421797) Mas, afinal, a chuva deve continuar? De acordo com o meteorologista da Defesa Civil, Franco Cassol, a chuva deve dar uma trégua. Isso porque a partir de amanhã, o tempo já começa a melhorar e o sol deve voltar a aparecer até o fim da semana, conforme o especialista. Nesta terça-feira (4), entre às 4h e 6h da manhã, foram registrados 78,4 milímetros de chuva. Cassol explica que para julho, eram esperados 133,4 milímetros, mas no quarto dia do mês, mais da metade do índice já foi registrado. “Existia a previsão dessa mudança de tempo, por conta da chegada de uma frente fria, mas era esperada uma chuva moderada. Porém, principalmente em Santos e São Vicente, houve uma chuva mais densa e concentrada que não era esperada”, afirmou. Ele explica que isso é relativamente comum de acontecer, e algum aspecto da frente fria pode ter se intensificado, ocasionado a formação de um temporal concentrado na região. Entretanto, o meteorologista afirma que chuvas dessa intensidade são pouco prováveis de acontecer novamente ao longo de junho, ainda que o mês já tenha ficado com índices acima do normal. A meteorologista Heloisa Pereira também confirma a previsão e afirma que água só deve voltar a cair em Santos próximo ao dia 10 de julho. “Por conta da presença de alta pressão no meio do Brasil, não é tão esperado que novas frentes consigam alcançar a costa de São Paulo. Na segunda quinzena, não é improvável que tenha um evento ou outro, que é normal nessa época do ano, mas por enquanto, com tanta antecedência, um evento da mesma magnitude não está sendo previsto”, comentou a Heloisa. A especialista ainda diz que o destaque dos próximos dias está voltado a grande amplitude térmica. As manhãs devem ser frias, com temperaturas beirando os 15ºC ou 16ºC, e as tardes devem ficar mais quentes, chegando aos 27ºC, conforme a meteorologista.