[[legacy_image_82362]] São inúmeras as histórias e exemplos de pessoas que praticam a empatia, o altruísmo, e com isso se sentem mais felizes e realizadas. Recentemente tivemos o exemplo do porteiro Cláudio José Santana Claudino, de 43 anos, que encontrou o cão Tom na última quarta-feira (14), perdido por 5 dias, e o entregou aos tutores, recusando uma recompensa de R\$ 5 mil. Ricardo e Ana encontraram a felicidade doando coisas. Já Ana Prata, não vê limites ou dificuldades quando o assunto é estender a mão ou arregaçar as mangas para ajudar. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! "A recompensa eu já tive, que foi ver a felicidade neles, recuperando algo tão valioso, e deu tudo certo porque Deus é maravilhoso. Quem tem o exemplo de Cristo como base só tem a agradecer", diz o porteiro, que também já teve um cachorro, mas foi obrigado a deixar com um parente por questão de espaço. "Ele agora tem minha sobrinha que se apegou a ele, não temos coragem de pegar de volta, mas sempre vamos lá matar saudades", conta. Ele, a esposa Mislene e os filhos Ana Clara e Gustavo são muito unidos. Os filhos vibraram ao ver a felicidade de Caio e Bruna, tutores do cachorro Tom que o pai deles encontrou. “É um porteiro-anjo, agradeço muito por ter sido ele que encontrou o Tom”, afirmou Caio. Ao acompanhar o reencontro de Tom com os ‘pais’, e testemunhar a emoção de Bruna, e ver Caio exausto, deitar aliviado no gramado, ele sentiu que ali estava a felicidade. "Todos em casa estamos felizes com isso", afirma Cláudio. Veja abaixo, o vídeo com o momento em que o porteiro encontra Tom na rua, às 5h40 da manhã, e a emoção do reencontro com os tutores logo depois, registrada pelo porteiro. [[legacy_youtube_7ijjSQjkF5U]] Sentimento semelhante, de ser feliz ajudando, tem Ana Maria dos Santos Prata, santista de 58 anos, massoterapeuta e depiladora. "Faço tudo que puder de acordo com a necessidade de cada pessoa. Vou na [rua] General Câmara, catraia, morros, bacia do macuco, onde for. Uns precisam de alimentos, outros enfrentar a burocracia, como tirar documentos. Levo em médico, vejo internação, há quem queira resgatar contato com a família. Lido muito com pessoas que moram na rua, procuro saber o que levou a pessoa àquela situação. Há muitos pré-conceitos sobre essas pessoas", conta Ana. Ela acredita que a maioria das pessoas está passando necessidade por conta do egoísmo e hipocrisia de outras. "Infelizmente o ser humano está deixando de ser humano", afirma Ana. "Agradeço a Deus, que sempre me indica as pessoas certas para ajudar, e outras para me apoiarem da forma que podem", completa. Começo A massoterapeuta explica que ajudar o próximo é algo que ela já traz da infância. "minha mãe era simples, não tinha estudos, mas era muito generosa e de uma sabedoria que não tem em livros. Sempre nos mostrava que podíamos dividir as coisas com os mais necessitados e ajudar as pessoas de várias formas". "O homem está ficando violento demais. Tanto que, com um olhar, pode dilacerar o coração de outra pessoa com julgamentos ou discriminação. Eu quis fazer o contrário. Mudanças devem começar em mim. Preciso ser melhor para poder querer que alguém melhore. E é o que digo a eles, que acreditem no que podem fazer", diz Ana. [[legacy_image_82363]] Leonildo dos Santos Guimarães, de 61 anos, mora no bairro Vila Nova, em Santos: "conheço a Ana há uns 25 anos, eu morava na rua e ela me ajudava, sentava no chão pra conversar comigo, e me dizia que eu ia sair dessa vida. Ela sempre me ajudou, e ainda me ajuda. Hoje eu moro num cantinho onde pago aluguel, moro com minha esposa, e ela está sempre por aqui", conta. Os filhos de Leonildo o visitam às vezes, e é sempre motivo de felicidade: "Mas a Ana, ela acaba sendo mais próxima até do que minha família de sangue, é como se ela fosse minha família, pois sabe de tudo de mim, e me ajuda no que eu precisar", conta. Drogas A massoterapueta conta que, com a experiência, percebeu que a alimentação serve bem mais do que só nutrir o corpo. "Quam come não usa drogas, por isso levo muitos alimentos. Existem vários casos de pessoas que conseguiram parar porque, nutridas, tinham mais força para poder trabalhar ou buscar uma saída", conta. Infelizmente o ser humano está deixando de ser humano Quando perguntada sobre algum caso que a tenha marcado muito, Ana pensa um pouco, até que cita um: "Sempre oro antes de sair de casa, e nesse dia iria levar algumas cestas básicas na comunidade da Maré, em Cubatão. Pedi a Deus para me mostrar alguma pessoa que precisasse. E numa das portas, uma mulher abriu, e ao me ver começou a chorar desesperadamente. Olhei dentro da casa, com um único cômodo, para ver se tinha algo, e vi 4 crianças. Depois de se acalmar, ela contou que havia acabado de rezar e pedir a Deus que alguém a ajudasse, e trouxesse alimentos a seus filhos, pois não comiam nada há dois dias". Alimento Ana explica o que a move para fazer tudo isso: "Cada uma dessas pessoas quando me vê chegando, o olhar delas muda. E isso não dá para eu tentar explicar... não dá. Elas pensam que eu levo algo para elas, mas na verdade são essas pessoas que me dão, me trazem vontade de viver e felicidade", finaliza. Felicidade em família Para o casal Ricardo e Ana, a vida não faria sentido se não ajudassem os mais carentes, e eles fazem isso em silêncio. "Começamos na igreja onde nos conhecemos, há 25 anos. Descobrimos que levar alimentos às pessoas mais necessitadas nos fazia bem, e foi até o que nos atraiu um ao outro", conta Ricardo. Ana disse que esse pensamento em comum dura até hoje, e até contagiou os dois filhos. Eles também ajudam a levar alimentos e vestuário em comunidades carentes. "Ver que podemos levar roupa a quem não tem, cobertor para proteger do frio, ou até comida para quem tem fome, traz para a gente o sentimento de que o mundo pode ser melhor mesmo com pequenas atitudes", conta Ana “Olhar nos olhos de alguém que tinha frio ou fome, e ver a expressão deles, não tem preço. É receber uma carga de felicidade. Sempre me lembro de uma poesia de Fernando Pessoa, chamada A Felicidade. Em um trecho diz que a felicidade que supomos existe sim, e está onde a colocamos, mas nunca a encontramos, porque não a colocamos onde nós estamos”, finaliza Ricardo.