[[legacy_image_51635]] “Tudo começou de uma necessidade e hoje se transformou no sustento da minha família”, destaca Kelly Wellyd Santana, de 46 anos, sobre a profissão que exerce há cinco anos: catadora de piolho profissional. De acordo com ela, o trabalho começou sem que nem ela percebesse: “Eu catava piolhos dos meus filhos, dos filhos dos vizinhos, mas não cobrava, as pessoas davam o que queriam, era mais uma ajuda mútua”, relata. Hoje, a moradora de Praia Grande atende clientes de toda a Baixada Santista. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Em conversa com ATribuna.com.br, Kelly contou que tirava o piolho dos filhos e da vizinhança quando morava em Tocantins. Depois, ela mudou para Praia Grande – onde mora há 11 anos. Ao chegar na cidade da Baixada Santista, Kelly atuou três anos em um call center. “Mas com a crise, perdi meu emprego. Sendo assim, comecei o trabalho de babá, cuidando de crianças na minha casa”, ressalta. Porém, segundo ela, algumas crianças tinham piolho. “A mãe sem tempo de cuidar me deu vários remédios para piolhos que não resolveram nada. Então, resolvi usar um método que funcionou perfeitamente”, destaca. Porém, de acordo com ela, chegou um momento em que os pais não tinham mais condições de pagar uma babá. “Conversando com meu marido, falei que gostaria de ter a experiência de unir o útil ao agradável e ainda ajudar no sustento do lar. Assim nasceu a catadora de piolhos”, enfatiza. Kelly ainda revela que contou com o apoio do marido e da filha, que a incentivaram a criar redes sociais para divulgar o trabalho. “O que parecia apenas uma brincadeira, se transformou numa profissão. Estávamos em uma situação muito ruim e não sabíamos mais o que fazer”, ressalta a catadora de piolhos. Rotina De acordo com a profissional, a rotina de ‘catar’ piolhos era ainda mais intensa antes da pandemia de covid-19. “Chegava a atender até três crianças por dia. Mas veio a pandemia e tudo parou. Com esse vírus, as pessoas não me chamavam diante do distanciamento social”, relata. Porém, isso não foi o bastante para fazer Kelly desistir da profissão. “Todos os dias fazia meus anúncios e dava assistência para as clientes via WhatsApp. Com a flexibilização e com os cuidados necessários, voltei ao meu atendimento presencial que funciona a domicílio”, diz. Segundo ela, o serviço está retornando aos poucos. “Uma coisa que me chamou muita atenção é que mesmo na pandemia, temos muitos casos de piolhos não só em crianças, mas em jovens e idosos”, explica. O atendimento ocorre na casa da própria cliente. “Efetuo a limpeza e ensino a manutenção. Não uso nenhum tipo de produto químico e o resultado é imediato. Eu tenho um segredinho ‘o pulo do gato’, que me ajuda muito a eliminar as lêndeas e claro, tenho a ajuda fundamental de um pente fino de ferro”, conta. Segundo Kelly, além do pente fino, ela usa prendedores de cabelo, um pano e uma escova ou pente para desembaraçar os fios. “Também ensino infusões de ervas para repelir os parasitas, dou várias dicas de cuidados e prevenções, tiro dúvidas e dou todo suporte antes, durante e depois do atendimento”, completa. [[legacy_image_51636]] Entre as medidas de prevenção ao piolho na própria cabeça, Kelly atende as clientes com uma toquinha descartável e cabelo bem preso. Além disso, em tempos de pandemia, a máscara e o álcool em gel também se tornaram equipamentos inseparáveis da catadora de piolhos. Amor pela profissão “Já ajudei muita gente que não podia pagar, amo muito o que faço”, ressalta Kelly sobre a profissão de catadora de piolhos. De acordo com ela, o trabalho é essencial para a população, pois trata-se de saúde e higiene. “Meus clientes são de todos os lugares e de todas as classes sociais”, diz. “Piolho é coisa muito séria, as crianças sofrem”, explica. Kelly ainda destaca que muitas pessoas ficam com vergonha de agendar uma visita: “Mas eu entendo que muitas mães não têm tempo, pois trabalham demais. Por isso, acabam deixando a criança com piolho”. Porém, segundo a profissional, os parasitas podem até criar ferida nas cabeças das crianças. Entretanto, as pessoas mais novas não são as únicas afetadas por piolhos. “Faço atendimento aos idosos. Eles necessitam muito porque ficam com os netos e acabam pegando piolhos. Já atendi uma idosa que tinha tanto que ficou com depressão, mas consegui limpar a cabeça dela e hoje ela está muito feliz”, relata. A catadora de piolhos ainda enfatiza que casos em pessoas mais velhas estão se repetindo constantemente, da mesma forma que em gestantes. “De um modo geral, podemos dizer que estamos vivendo uma época de muita proximidade. Acontece infestação de lêndeas e piolhos em qualquer idade, mas nem todos dão a devida importância”, explica. Segundo Kelly, muitas pessoas optam por tratamentos com shampoos e loções, porém, ela trabalha de forma diferente: “Optei por trabalhar com coisas simples que todos têm em casa e que podem garantir melhor resultado no meu atendimento”. Hoje, Kelly recebe diversos elogios de mães de crianças, idosos e gestantes. “Meu principal objetivo e sonho é criar um espaço onde todos os que necessitam de um atendimento mais em conta possam agendar e ter acesso a este serviço muito importante”, ressalta. “Tenho muito orgulho da minha profissão e amor pelo que faço. Nada paga ver o sorriso de uma pessoa aliviada por ter conseguido se livrar destes parasitas”, finaliza a catadora de piolhos.