Microalgas causadoras da Maré Vermelha foram encontradas no mar de Praia Grande (foto), além de Peruíbe, Cananéia e São Sebastião (Alexsander Ferraz/AT) A presença de microalgas do tipo “Dinophysis acuminata”, causadoras do fenômeno conhecido como Maré Vermelha, foi constatada em praias do Litoral de São Paulo por técnicos do Governo do Estado. Segundo publicação feita no Diário Oficial do Estado na sexta-feira (9), altas concentrações das algas, que são potencialmente tóxicas, foram detectadas em praias de Peruíbe e Praia Grande, na Baixada Santista, Cananéia, no Vale do Ribeira, além de São Sebastião, no Litoral Norte. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a publicação, a Maré Vermelha foi detectada em Santa Catarina e no Paraná em meados de julho e, desde então, o Grupo de Trabalho Interinstitucional responsável pela gestão de riscos associados a esse fenômeno monitora as águas do litoral paulista. Para verificar a presença das algas no mar, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e a Defesa Agropecuária coletaram amostras de água marítima. Maré vermelha Segundo o biólogo Eric Comin, a Maré Vermelha é um fenômeno natural que provoca manchas de coloração escura na água do mar. “As manchas são causadas pelo crescimento excessivo de algas microscópicas presentes no plâncton marinho, processo chamado de floração”, explica. Comin acrescenta que o fenômeno altera as condições ambientais, visto que as manchas causam um sombreamento que reduz o oxigênio da água . “Pode causar a morte de peixes e representar certos riscos também à saúde humana, além de ameaçar a balneabilidade das praias, porque acontece o acúmulo de toxinas devido a essas algas”. O especialista ressalta que, embora natural, o fenômeno tem frequência cada vez maior devido à poluição marinha causada pela ação humana. “O despejo de esgoto não tratado no mar, por exemplo, provoca o aumento da matéria orgânica na água, portanto, aumentando a quantidade de nutrientes disponíveis, em um processo conhecido como eutrofização. Esse processo, junto à questão do aquecimento global, proporciona condições ideais para a floração dessas algas envolvidas na Maré Vermelha”, diz Comin. Riscos A respeito dos riscos à saúde humana, o biólogo Rafael Silva esclarece que quem entra em contato com a água afetada pela Maré Vermelha pode sofrer alergias e até mesmo intoxicação. “Após o contato direto ou indireto com a água do mar ou a maresia, os sintomas podem envolver dores fortes de cabeça, náuseas, dores no corpo, irritação nos olhos, na garganta e na pele”. Além disso, a ingestão de frutos do mar contaminados pode provocar intoxicações. Por isso, a publicação feita pelo Governo do Estado recomenda evitar o comércio e o consumo de moluscos bivalves - caso de ostras e mexilhões - provenientes do litoral paulista até novos resultados das avaliações das águas. Isso porque a toxina produzida pelas algas pode se acumular nesses organismos, que são filtradores. Monitoramento continua Ainda segundo a publicação, a Defesa Agropecuária programou para a próxima semana novas coletas nas áreas de cultivo de moluscos bivalves do estado para avaliar se há presença de toxina nesses animais.