[[legacy_image_350591]] Os jovens vêm apresentando, a cada dia, um engajamento maior nas discussões políticas. Na Baixada Santista, cresceu o número de eleitores entre 16 e 17 anos, idades nas quais o voto ainda não é obrigatório. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), a região tem 7.474 eleitores nessa faixa etária. Destes, 2.453 fizeram alistamento eleitoral — obtiveram o título — de janeiro a março deste ano. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! No Estado, alistaram-se 22.298 jovens com 16 anos e 39.768 com 17 anos. As nove cidades, juntas, somam 931 (16 anos) e 1.522 (17 anos), respectivamente (veja quadro). O total regional de eleitores de 16 anos é de 1.679, enquanto 5.795 têm 17 anos. O prazo para alistamento eleitoral se encerra em 8 de maio. É preciso agendar atendimento presencial no site do TRE-SP (www.tre-sp.jus.br) e comparecer na hora marcada no cartório eleitoral ou em postos do Poupatempo com serviços da Justiça Eleitoral. [[legacy_image_350592]] Descrédito contestadoPara o cientista político, doutor e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). Rafael Moreira, a tese do descrédito do jovem quanto à política não procede. O caminho escolhido pelos mais jovens seria a atuação em movimentos estudantis, como os grêmios, onde desenvolvem habilidades e aptidões do trato político. “A gente não tem um dado que mostre que o baixo alistamento eleitoral tem a ver com descrédito. A política vai muito além da institucional, por meio de mandatos eletivos. O fazer política se dá, por exemplo, em gremios estudantis movimentos sociais, em ONGs, associações de moradores etc.”, avalia. O alistamento eleitoral, no seu entender, não é tão elevado porque não é obrigatório que menores de 18 anos vão às urnas. “O alistamento eleitoral sempre vai ser mais baixo, assim como ele é para as pessoas com maior idade (70 anos ou mais), para as quais o voto também é facultativo. Então, a taxa de comparecimento sempre vai ser mais baixa por parte dessas pessoas”, ressalta Moreira. ParticipaçãoO estudante Vitor Figueredo Rosa Rodrigues, de 17 anos, conta que já pensava no título eleitoral desde a última eleição presidencial, em 2022. Mas foi a abertura para a discussão sobre política, sobretudo em casa, que ajudou a fomentar esse interesse. “Sou antenado sobre política desde os 10 anos, aproximadamente. Esse interesse sempre também foi muito aguçado nas aulas de História e Geografia”, conta o estudante, do 3º ano do Ensino Médio. O jovem reclama da polarização que dominou boa parte das discussões políticas nos últimos tempos. “Na maioria das vezes, ambos os lados só ficam se acusando, sem propriamente realizar um debate embasado e que seja produtivo.” Ele acrescenta que conceitos como “político é tudo igual” ou “política não se discute” acabam afastando muitas pessoas do âmbito político. “Desde cedo, crescemos com a visão de que a política no Brasil é algo indiferente”, comenta. Maria Eduarda Fernandes Rocha de Andrade, também de 17 anos, tem pensamento semelhante. “Acredito que a política, atualmente, consegue desenvolver coisas boas, mas a polarização dificulta o desenvolvimento”, resume. Ela acredita que o acirramento de ânimos em debates colabora para essa impressão de afastamento. “Até pela questão de a política gerar muita discussão, muitos preferem não entrar nesse conflito de ideias”, resume a jovem, do 3º ano do Ensino Médio.