Hermenegildo Pereira Netto: em tanto tempo enquanto mesário, fez amigos e viu gerações passarem (Vanessa Rodrigues/AT) Ele será o mesário mais velho do Estado em atividade nas eleições deste ano: Hermenegildo Pereira Netto, de 94 anos. O morador de Praia Grande exerce a função desde que se tornou idoso. “De 1990 para cá, não faltei em uma eleição. Estive em todas, tanto nas presidenciais quanto nas municipais”, diz Hermenegildo, que é corretor de imóveis aposentado e vive em Praia Grande há cerca de quatro décadas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nem mesmo a pandemia de covid-19 o impediu de estar na seção eleitoral onde costuma trabalhar, no Bairro Ocian. “Estava no auge da pandemia e me perguntaram se eu queria trabalhar, porque ninguém queria. Disse que não teria problema porque, graças a Deus, eu não peguei covid.” Em todo esse tempo como mesário, ele colecionou amizades nas seções eleitorais. Segundo o aposentado, essas relações com os eleitores o motivam a continuar como voluntário nas eleições. “Eu gosto (de trabalhar como mesário), fiz muitas amizades com o pessoal do cartório. O dia da eleição é uma festa”, brinca. Para além das amizades, ele diz que há uma sensação de dever ao assumir o compromisso com a Justiça Eleitoral. “Não existe eleição sem mesários, não é? Por isso eu participo e faço questão de comparecer sempre que há condições.” Outro prazer de Pereira nas eleições é encontrar as novas gerações dos eleitores que atendeu. “Tenho eleitores que são netos de quem votava comigo há 35 anos. As pessoas me veem e dizem: ‘Ah, é aqui mesmo que vou votar, olha ele lá!’, e isso é marcante para mim.” Para o aposentado, as eleições deste ano serão especiais. “Eu não sei se estarei aí em 2026, então esta, para mim, é muito especial. Estou animado e esperançoso para que, nestas eleições, tudo dê certo.” VOLUNTARIADO E se engana quem pensa que o trabalho voluntário realizado por Hermenegildo Pereira se limita ao período eleitoral. O aposentado conta que faz parte do projeto Soldados Valorosos, que, às quintas-feiras, distribui 700 marmitas para pessoas em situação de rua. “Fui convidado a participar, e acho que é muito nobre (a iniciativa). Apesar de muita gente condenar nós darmos comida para as pessoas de rua, eu acho que não é por aí, não devemos julgar”, diz. Toda semana, ele participa das atividades do projeto, e a ideia é não parar com o voluntariado. “É como andar de bicicleta. Se pararmos, caímos, não é mesmo? Enquanto Deus me der saúde, estarei ativo.”